Geral

Acre e Bolívia – A união pelo café sustentável que transforma a Amazônia

Políticas que inspiram - O modelo acreano de preservação vira exemplo global.
Conexão sem fronteiras - Cooperação técnica para um futuro verde e produtivo.
Inovação no campo - O segredo do café robusta amazônico.

Técnicos bolivianos desembarcaram no Acre para um intercâmbio estratégico focado na produção de café sustentável e na preservação da floresta. Durante três dias intensos, a comitiva do Centro de Investigación Agrícola Tropical (CIAT) conheceu de perto as tecnologias de café robusta amazônico e o premiado Sistema de Incentivo a Serviços Ambientais (Sisa). O encontro, fruto de parcerias internacionais como o GCF Task Force e o Programa Amazônia+, reforça como a inovação agrícola e a gestão ambiental podem caminhar juntas para transformar a realidade de quem vive e produz na região amazônica.

A Amazônia não conhece fronteiras quando o assunto é sustentabilidade e desenvolvimento econômico. Recentemente, o estado do Acre consolidou sua posição como referência regional ao receber uma comitiva técnica de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia. O objetivo foi claro: compartilhar conhecimentos práticos sobre o café sustentável, explorando desde as raízes da pesquisa científica até o manejo direto no campo.

Essa troca de experiências faz parte do compromisso firmado no 1º Encontro do Mecanismo Subnacional de Intercâmbio de Políticas Públicas para a Gestão Ambiental Sustentável (Mipa). Para os países vizinhos, entender como o Acre consegue aliar a produção de café robusta amazônico em Sistemas Agroflorestais (SAFs) com políticas climáticas robustas é a chave para replicar o sucesso em outros territórios.

Ciência e Tecnologia a serviço do produtor

A jornada começou nos laboratórios e campos experimentais da Embrapa Acre. Ali, os técnicos bolivianos mergulharam nas pesquisas de melhoramento da cultura, conhecendo de perto os cafeeiros clonais e as técnicas de manejo nutricional e irrigação que estão mudando a cara da cafeicultura local.

O pesquisador Celso Luiz Bergo destacou que essa via é de mão dupla: enquanto o Acre apresenta seus estudos sobre espaçamento e qualidade da bebida, a Bolívia também traz suas vivências rurais. Essa sinergia é fundamental para que o café sustentável ganhe escala e competitividade, garantindo que a tecnologia desenvolvida nas instituições chegue, de fato, às mãos de quem planta.

O modelo acreano sob os holofotes

Mas não se produz café sustentável apenas com boas mudas; é preciso um ecossistema de políticas públicas que incentivem a preservação. A comitiva visitou o Instituto de Mudanças Climáticas (IMC) para entender o funcionamento do Sisa e do pioneiro programa de REDD+ Jurisdicional do Acre.

Considerado um modelo global, o Sisa oferece o arcabouço jurídico necessário para enfrentar o desmatamento ilegal enquanto promove a inovação e a governança climática. Fabiana Cruz, chefe de regulação do IMC, detalhou como o estado transformou desafios ambientais em oportunidades de desenvolvimento desde 2012, servindo de inspiração para que nossos vizinhos adaptem essas estratégias às suas realidades.

Mão na massa: Colheita e qualidade

O ponto alto do intercâmbio foi o “dia de campo” na zona rural de Rio Branco. Em parceria com a Secretaria de Agricultura (Seagri) e especialistas de Rondônia, os produtores locais e a comitiva boliviana participaram de um treinamento prático sobre colheita e pós-colheita.

A qualidade do café sustentável é decidida no detalhe. Marília Moura, presidente da Associação dos Cafeicultores de Capixaba, ressaltou que a capacitação é o que evita perdas financeiras e garante um produto de excelência. “Não adianta produzir bem e, na hora da colheita, comprometer a qualidade por falta de orientação”, afirmou a produtora, sintetizando o espírito do encontro.

Um futuro compartilhado

Ao final da visita, o sentimento era de otimismo e renovação de laços. Mary Selva Viera, pesquisadora do CIAT/Bolívia, agradeceu a generosidade dos técnicos brasileiros em compartilhar tecnologias que fortalecem a cafeicultura regional. Para Jaksilande Araújo, presidente do IMC, o intercâmbio reafirma o papel do Acre como um catalisador de boas práticas na Pan-Amazônia.

A parceria entre Brasil e Bolívia prova que, através do intercâmbio de conhecimento, é possível construir um modelo de desenvolvimento que respeita a floresta, valoriza o produtor e entrega ao mundo um café sustentável com o autêntico sabor da Amazônia.

 

 

Fonte – Agência Acre

Texto com apoio da Inteligência Artificial/ Redação e Edição da Coopnews

Foto – Divulgação/Agência Acre 

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