O Agosto Lilás ganha um importante espaço de diálogo com adolescentes em Parintins, no interior do Amazonas. Nesta quarta-feira (26), o curso de Jornalismo da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), campus Parintins, realiza uma série de palestras na Escola Senador Álvaro Maia para orientar estudantes sobre direitos das mulheres e prevenção à violência de gênero. Com o tema “Conversas abertas sobre os direitos das Manas”, a iniciativa integra um projeto de extensão que reúne professoras dos cursos de Jornalismo, Serviço Social e Artes Visuais. A programação foi pensada especialmente para alunas do nono ano e aborda assuntos que fazem parte da realidade de muitas adolescentes, como micromachismos, assédio, relacionamentos abusivos, respeito, saúde mental e redes de apoio. A proposta é transformar informação em ferramenta de proteção, ajudando as estudantes a reconhecer situações de violência, buscar ajuda e compreender que nenhuma menina precisa enfrentar esse tipo de experiência sozinha.
Informação para reconhecer a violência antes que ela se agrave
Mais do que marcar o calendário do Agosto Lilás, a iniciativa da Ufam pretende levar para dentro da escola uma conversa necessária e, muitas vezes, difícil: como reconhecer os primeiros sinais de violência e quais caminhos podem ser buscados quando uma adolescente percebe que seus direitos estão sendo desrespeitados.
Coordenado pelas professoras Graciene Siqueira e Juliana Soares, o projeto surgiu justamente da necessidade de orientar meninas desde cedo sobre diferentes formas de violência que podem aparecer em relações de proximidade.
A violência nem sempre começa com uma agressão física. Pode surgir em atitudes de controle, humilhações, ameaças, constrangimentos, manipulação emocional, assédio ou comportamentos que acabam sendo tratados como “normais” dentro de um relacionamento.
A preocupação também encontra respaldo nos números. Segundo o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, 1.571 mulheres foram vítimas de feminicídio no Brasil em 2025. O dado mostra a dimensão de um problema que precisa ser enfrentado não apenas pelas instituições de segurança e justiça, mas também pela educação e pela sociedade.
Palestras aproximam adolescentes de temas do cotidiano
A programação será realizada em dois horários, das 9h30 às 11h e das 15h30 às 17h, com atividades voltadas às estudantes do nono ano.
No período da manhã, a professora Juliana Soares falará sobre como identificar os chamados micromachismos, comportamentos e atitudes aparentemente pequenos, mas que podem reforçar desigualdades e formas de violência contra as mulheres.
A psicóloga Luciana Valente abordará o respeito no ambiente escolar e social. Para ela, informação, acolhimento e acesso à ajuda podem fazer diferença na vida de uma adolescente que esteja enfrentando uma situação de violência.
“Falar sobre o que está acontecendo, acolher uma amiga e saber onde buscar ajuda são atitudes fundamentais de proteção”, afirma.
A programação da manhã também terá a professora Valmiene Florindo, que tratará do combate aos relacionamentos abusivos, tema especialmente importante para adolescentes que estão começando a construir suas primeiras relações afetivas.
A proposta é mostrar que ciúme excessivo, controle sobre roupas e amizades, invasão de privacidade e outras atitudes não devem ser confundidos com demonstrações de amor.
Redes de apoio e direitos também entram na conversa
No período da tarde, o debate amplia a discussão para questões relacionadas à igualdade de gênero, aos direitos conquistados pelas mulheres e às redes de proteção existentes em Parintins.
A professora Sandra Damasceno, do curso de Serviço Social, falará sobre a trajetória dos movimentos feministas, a conquista de direitos e o enfrentamento das desigualdades, discriminações e diferentes formas de violência.
Segundo a docente, o objetivo é mostrar às estudantes como os movimentos feministas contribuíram para a construção de direitos e para melhores condições de vida das mulheres e da sociedade.
A professora Fernanda Priscila, do curso de Artes Visuais, abordará redes de apoio, cuidado e saúde mental. Ela também vai apresentar informações sobre a rede socioassistencial e os serviços disponíveis para jovens e mulheres no município.
Para Fernanda, conversar diretamente com estudantes do nono ano sobre assédio é uma forma de prevenção e cuidado.
A iniciativa busca justamente romper o silêncio que muitas vezes acompanha situações de violência. Quando uma adolescente consegue identificar que determinado comportamento representa uma violação de seus direitos, aumenta também a possibilidade de procurar ajuda e interromper um ciclo de sofrimento.
Um espaço para falar, ouvir e acolher
A proposta do projeto é fazer do Agosto Lilás mais do que uma campanha de conscientização. A intenção é criar um ambiente em que as estudantes possam falar, ouvir, questionar e aprender sem medo de julgamento.
Ao levar para a escola discussões sobre relacionamentos saudáveis, igualdade de gênero, saúde mental, assédio e micromachismos, a Ufam aposta na educação como instrumento de prevenção.
A equipe do projeto também conta com as discentes Yza Mel, do curso de Artes Visuais, e Ingrid Souza e Maria Fernanda, de Jornalismo.
A ação reforça uma mensagem essencial: informação também é proteção. Para meninas que ainda estão construindo sua autonomia e aprendendo a reconhecer os limites em suas relações, saber identificar uma situação de violência e conhecer os caminhos para buscar ajuda pode representar um passo decisivo para romper ciclos e construir relações mais respeitosas.
Neste Agosto Lilás, a universidade leva para dentro da escola uma discussão que precisa continuar depois da campanha: combater a violência contra a mulher começa também pela capacidade de reconhecer seus sinais, fortalecer redes de apoio e garantir que nenhuma adolescente enfrente esse problema sozinha.
Fonte – UFAM
Texto com apoio da Inteligência Artificial/Edição da Coopnews
Foto – Divulgação/UFAM




