Entre os dias 27 e 29 de agosto, a região integrada que conecta os municípios de Barracão (PR), Dionísio Cerqueira (SC) e Bernardo de Irigoyen (Argentina) sediará o encontro nacional “Construção do Futuro nas Fronteiras”. Promovido em parceria pelo Sebrae Nacional e pelo Sebrae/PR, o evento ocorre de forma paralela ao IV Festival Internacional de Turismo La Frontera. O encontro reunirá líderes de extremos geográficos do país, desde Tabatinga (AM), na tríplice fronteira amazônica, até a faixa fronteiriça do Rio Grande do Sul com o Uruguai, com o propósito de compartilhar experiências sobre circulação de pessoas, comércio, turismo e integração econômica. O intercâmbio de soluções práticas para desafios comuns de infraestrutura e legislação culminará na elaboração da “Carta das Fronteiras”, um documento contendo diretrizes e compromissos estratégicos para fortalecer o empreendedorismo e o ambiente de negócios desses territórios.
Por ser um país de dimensões continentais, o Brasil abriga regiões de fronteira com particularidades distintas e em diferentes estágios de desenvolvimento socioeconômico. No entanto, por trás dessa diversidade geográfica, existem desafios comuns que conectam os limites do país, de norte a sul. É para debater essas convergências e apontar caminhos práticos de desenvolvimento que acontece, entre os dias 27 e 29 de agosto, o encontro “Construção do Futuro nas Fronteiras”. O evento será realizado na tríplice fronteira entre Paraná, Santa Catarina e Argentina, um cenário propício para o debate sobre integração e governança territorial.
O intercâmbio é uma iniciativa do Sebrae Nacional e do Sebrae/PR, desenhada para ser um ambiente dinâmico de cooperação e aprendizado mútuo . De acordo com Luiz Marcelo Padilha, gerente da Unidade de Ambiente de Negócios do Sebrae/PR, reunir essas diferentes bagagens permite comparar realidades locais e identificar soluções inovadoras que já foram testadas em um ponto do país e podem ser adaptadas para outro. Padilha enfatiza que essa troca em rede fortalece a cooperação, melhora o ambiente de negócios e acelera o desenvolvimento sustentável em áreas tradicionalmente distantes dos grandes centros de decisão.
O desafio do extremo Norte: Free shops e isolamento geográfico
No extremo norte do país, o município de Tabatinga (AM) exemplifica o tamanho e a complexidade dos desafios de integração [9]. Parte da tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru, a cidade mantém uma conexão direta e cotidiana com Letícia, no lado colombiano, e com a região peruana de Santa Rosa de Yavarí. Essa dinâmica de proximidade influencia toda a economia local, mas a distância geográfica dos grandes polos econômicos do Brasil impõe custos logísticos elevados e dificuldades específicas para o empreendedorismo regional.
Para movimentar o comércio e atrair investimentos, Tabatinga aposta no modelo de lojas francas de fronteira, os chamados free shops. Previsto pela legislação federal, Tabatinga é atualmente o único município do estado do Amazonas habilitado para receber esse tipo de estabelecimento. Para estruturar essa transição, foi criado um grupo de trabalho focado em analisar os aspectos legais, tributários e de infraestrutura, com a participação ativa do Sebrae Amazonas e outras instituições.
A participação no encontro no Sul do país é vista como estratégica para o avanço desse projeto. José Antônio Cardoso Fonseca, gestor do Programa Movimenta Políticas Públicas do Sebrae/AM, destaca que o evento representa uma oportunidade de conhecer modelos de governança e cooperação já consolidados em outras regiões fronteiriças. Ele explica que entender como outras localidades superaram burocracias e articularam suas instituições pode ajudar Tabatinga a encurtar caminhos e a implantar seus free shops de maneira mais rápida, segura e eficiente.
Do Pampa à Trifronteira: Articulação em rede e modernização
Na outra ponta do mapa, no Rio Grande do Sul, a rotina de cidades que fazem fronteira com o Uruguai também demanda um diálogo contínuo para impulsionar o turismo e a prestação de serviços. A proximidade geográfica com o país vizinho gera um fluxo constante que beneficia o comércio regional, mas esbarra em burocracias que limitam uma expansão ainda maior.
O gerente regional do Sebrae/RS, Angelo Aguinaga, ressalta que as dores dessas regiões convergem nos gargalos de infraestrutura, logística e, principalmente, nas amarras legislativas. Aguinaga defende que o avanço socioeconômico dessas faixas territoriais passa necessariamente pela modernização e simplificação das regras que envolvem as faixas de fronteira, reduzindo a burocracia aduaneira. Segundo o gerente gaúcho, atuar de forma articulada e em rede fortalece o pleito desses territórios junto aos órgãos reguladores federais, abrindo espaço para novos investimentos privados e para a competitividade dos negócios locais.
Esse potencial empresarial ganha números expressivos quando analisado o território onde o encontro ocorre. A região de La Frontera, formada por 21 municípios do Paraná, de Santa Catarina e da província de Misiones, na Argentina, possui mais de 202 mil habitantes e reúne cerca de 17,5 mil empresas ativas. O dado mais marcante é que, desse total, aproximadamente 15,2 mil são micro e pequenas empresas. Esses pequenos negócios formam a verdadeira força motriz da economia fronteiriça, gerando emprego, renda e garantindo a subsistência de milhares de famílias.
A Carta das Fronteiras: O compromisso com o amanhã
O encontro “Construção do Futuro nas Fronteiras” não se limitará a debates de ideias; ele gerará uma entrega prática e coletiva para os territórios. Durante a programação, os participantes vão colaborar na redação da Carta das Fronteiras. O documento reunirá diagnósticos compartilhados, compromissos de mútua cooperação e diretrizes para a governança territorial, integração econômica e incentivo ao empreendedorismo de fronteira.
Simultaneamente aos painéis de discussão, a região recebe o IV Festival Internacional de Turismo La Frontera, que ocorre entre os dias 28 e 30 de agosto no Lago Internacional da Trifronteira. A sinergia entre os debates técnicos e a celebração cultural demonstra que a construção de um futuro próspero nas fronteiras brasileiras é um processo dinâmico, baseado na articulação humana, no fortalecimento dos pequenos negócios e na cooperação sem limites.
Fonte – Agência Sebrae
Texto com apoio da Inteligência Artificial/Edição da Coopnews
Foto – Divulgação/Sebrae




