Transformar uma grande quantidade de informações científicas em conhecimento capaz de gerar soluções para a Amazônia é o desafio que estará no centro de um evento marcado para 16 de setembro, em Manaus. O encontro “Integração de dados abertos para a Amazônia: transformando dados científicos em soluções para a região” pretende aproximar pesquisadores, startups, gestores públicos e investidores em torno de uma questão cada vez mais importante: como organizar e conectar o conhecimento produzido sobre a região para que ele possa chegar a quem precisa dele. Coordenada pela professora da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) Célia Simonetti, a iniciativa será realizada das 9h às 12h, no Instituto Venturus, no bairro Nossa Senhora das Graças. As inscrições são gratuitas para profissionais e estudantes.
Mais do que reunir especialistas, o encontro pretende discutir caminhos para superar um problema que afeta diretamente a produção científica amazônica: a dispersão das informações em diferentes bases de dados. Hoje, pesquisas, especialistas e conhecimentos estão espalhados por plataformas distintas, o que dificulta a identificação de competências e a transformação da ciência em soluções práticas.
É justamente nesse ponto que entram os dados abertos. A proposta desenvolvida no âmbito do projeto “Construção de sistema de recomendações para a clusterização de temas na Amazônia” busca integrar informações científicas e criar uma ferramenta capaz de facilitar a localização de conhecimentos, pesquisadores e oportunidades de cooperação.
A plataforma em desenvolvimento combina inteligência artificial, busca vetorial e informações coletadas de mais de dez bases científicas. Entre elas estão a Plataforma Lattes, OpenAlex, Espacenet e a Biblioteca Digital de Teses e Dissertações (BDTD). A ideia é organizar esse conjunto de informações e criar conexões mais inteligentes entre a produção acadêmica e as necessidades do ecossistema de inovação amazônico.
Ciência e tecnologia voltadas para os desafios da região
Durante o evento, quatro grandes eixos vão orientar as discussões: Inteligência Científica e Conexão; Tecnologia de Ponta; Visualização de Dados Pan-Amazônica; e Oportunidades de Parceria.
Na prática, os eixos procuram responder a perguntas que vão além do ambiente acadêmico. Onde estão os especialistas capazes de contribuir para determinado problema? Que pesquisas já foram produzidas? Quais tecnologias podem ser aplicadas? E como aproximar universidades, empresas, governos e outros atores para transformar conhecimento em soluções?
A programação começa às 8h30, com uma recepção aos participantes. A abertura, prevista para as 9h, vai destacar a importância da integração de dados abertos para o desenvolvimento sustentável da Amazônia.
Na sequência, serão realizadas três apresentações: “Raízes do conhecimento: O poder dos dados para conectar a ciência ao ecossistema de inovação”; “Mata fechada aos dados abertos: Construindo o sistema de recomendação científica da Amazônia”; e “Visão Pan-Amazônica: Dashboards inteligentes e métricas de impacto Pan-Amazônico (Brasil, Peru e Colômbia)”.
Os debates também terão espaço importante na programação. Um deles vai abordar os desafios amazônicos e as possibilidades de soluções tecnológicas. Outro será dedicado à formação de alianças e parcerias, com o objetivo de aproximar os participantes de futuras ações de cooperação técnica e desenvolvimento conjunto.
Uma rede de conhecimento que ultrapassa fronteiras
A dimensão internacional é outro ponto relevante da iniciativa. O projeto envolve pesquisadores e especialistas do Brasil, Peru e Colômbia e pretende contribuir para uma visão pan-amazônica da ciência e da inovação.
A proposta também está relacionada a uma questão estratégica para a região: a soberania tecnológica e digital. Para a professora Célia Simonetti, coordenadora do projeto e do evento, a forma como os dados científicos são produzidos, organizados e disponibilizados está diretamente ligada à capacidade da Amazônia de proteger e utilizar o conhecimento gerado em seu próprio território.
O sistema deverá organizar informações relacionadas a 13 áreas consideradas estratégicas para a sociobiodiversidade amazônica. Entre elas estão recuperação e monitoramento de ecossistemas, biotecnologia, energia renovável, sistemas alimentares sustentáveis, mudanças climáticas, educação e saberes tradicionais, recursos hídricos, saúde, tecnologias sociais, inteligência artificial, integração regional, cadeias produtivas da sociobiodiversidade e mineração.
A iniciativa é desenvolvida no âmbito do Pró-Amazônia, programa voltado ao financiamento de ciência, tecnologia e inovação na Amazônia Legal, concretizado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Ao colocar os dados abertos no centro dessa discussão, o projeto parte de uma ideia simples, mas estratégica: informação dispersa tem menos capacidade de produzir impacto. Quando organizada, conectada e colocada à disposição de pesquisadores, gestores, empresas e instituições, ela pode se transformar em conhecimento aplicado.
É essa ponte entre ciência e realidade amazônica que o encontro pretende fortalecer. Em uma região marcada por desafios ambientais, sociais e econômicos de grande escala, conectar conhecimento pode ser também uma forma de criar novas soluções, ampliar parcerias e dar à própria Amazônia maior capacidade de decidir sobre o futuro que deseja construir.
Fonte – Ufam
Texto com apoio da Inteligência Artificial/Edição da Coopnews
Foto – Divulgação – Ufam




