Durante o 16º Concred, realizado em agosto de 2026, o Sistema OCB deu um passo histórico para fortalecer as economias municipais ao lançar a terceira edição da cartilha “Retenção de Riqueza nos Municípios — Relação entre Cooperativas de Crédito e Entes Públicos Municipais”. Desenvolvido em cooperação com o Sebrae e o Banco Central do Brasil, o documento funciona como um manual prático e descomplicado para que prefeitos e secretários compreendam como movimentar recursos públicos por meio do cooperativismo de crédito. O grande diferencial desta nova versão é a incorporação das diretrizes da Resolução CMN 5.273/2025, norma recente que ampliou as possibilidades de captação de recursos municipais por essas instituições financeiras. Ao aproximar a gestão pública de entidades que reinvestem o capital localmente, a iniciativa visa combater a evasão de divisas e acelerar o desenvolvimento local. Com depósitos que já somam R$ 4,33 bilhões e um relacionamento ativo com mais de 5,5 mil entes municipais, o setor se consolida como um pilar essencial para financiar o crescimento regional, apoiar microempreendedores e produtores rurais e garantir serviços financeiros em regiões que não contam com bancos tradicionais.
O encontro de forças: fomento local e governança participativa
O lançamento da cartilha ocorreu com a participação ativa de Cledir Magri, presidente da Cresol Confederação e coordenador do Conselho Consultivo Nacional do Ramo Crédito (Ceco/OCB), e de Eduardo Queiroz, gerente de Relações Institucionais do Sistema OCB. Ambos destacaram a importância de fortalecer o diálogo entre as gestões locais e o cooperativismo para construir caminhos sustentáveis de crescimento.
Para as prefeituras, a escolha de trabalhar com cooperativas de crédito é uma decisão de retenção de capital. Enquanto as redes bancárias comerciais tradicionais costumam enviar a riqueza gerada para fora das pequenas cidades, as cooperativas operam no modelo de circulação interna, garantindo que o dinheiro arrecadado em impostos e investimentos públicos seja reinvestido na própria comunidade.
Isso significa mais crédito disponível para produtores rurais, comerciantes locais e microempreendedores, gerando novos empregos e renda perto de onde o recurso foi gerado.
A força dos números e o impulso da legislação
A relevância do cooperativismo de crédito no cenário nacional já se traduz em números robustos validados pelo Banco Central. Em dezembro de 2025, os depósitos no segmento alcançaram a impressionante marca de R$ 4,33 bilhões. Além disso, o setor já mantém relacionamento consolidado com mais de 5,5 mil entes municipais, cobrindo cerca de 2,9 mil municípios de norte a sul do país.
Essa rede de impacto ganhou um incentivo legal histórico com a aprovação da Resolução CMN 5.273/2025. A norma do Conselho Monetário Nacional atualizou as regras e ampliou a possibilidade de captação de fundos municipais pelas cooperativas, trazendo mais clareza e segurança jurídica para a tomada de decisão das prefeituras.
A nova edição da cartilha surge justamente como o elo de tradução dessa legislação técnica para o dia a dia administrativo. O guia apresenta caminhos práticos para que prefeitos, secretários de finanças e equipes técnicas possam movimentar recursos públicos nessas cooperativas de forma legal, transparente e vantajosa.
Inclusão social: onde o cooperativismo é a única voz
Em muitas regiões do país, o papel do cooperativismo de crédito supera os benefícios puramente econômicos e assume uma dimensão social indispensável. Atualmente, em 1.072 municípios brasileiros, as cooperativas de crédito são a única instituição financeira fisicamente presente. Nesses territórios desassistidos, produtores rurais, pequenos comerciantes e cidadãos comuns dependem exclusivamente dessas cooperativas para ter acesso a serviços bancários básicos e manter suas economias locais pulsando.
De acordo com Eduardo Queiroz, o grande desafio é transformar o potencial previsto na legislação em parcerias reais. A cartilha foi desenhada exatamente para aproximar prefeitos e líderes cooperativistas, servindo como um ponto de partida prático para criar canais de colaboração ágeis.
A expectativa do Sistema OCB é de que o documento inspire ações que acelerem a retenção de riqueza nos próprios municípios, garantindo que o capital público atue diretamente na melhoria da infraestrutura e dos serviços para a população local.
Fonte – OCB
Texto com apoio da Inteligência Artificial/Edição da Coopnews
Foto – Divulgação/OCB




