Ciência e Tecnologia

Docilidade, Inovação e Café – Como as Búfalas da Ufam estão roubando a cena na Expoagro 2026

Genética de ponta e mitos desfeitos - Conheça as três matrizes dóceis que mostram a força da bubalinocultura no Amazonas, terceiro maior rebanho do país.
Ciência prática na arena - Estudantes de Zootecnia transformam o parque de exposições em sala de aula de campo e estreitam laços com produtores locais.
Sustentabilidade no cocho - Pesquisas inovadoras utilizam casca de café robusta amazônico para alimentar rebanho e reduzir custos de produção.

A Fazenda Experimental (Faexp) da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) está movimentando a 48ª edição da Exposição Agropecuária do Amazonas, a Expoagro, com uma programação que une ciência, prática acadêmica e inovação sustentável. Até o dia 23 de agosto de 2026, quem visita o estande da instituição se depara com uma atração irresistível: três búfalas extremamente dóceis e de alta linhagem genética, trazidas da Embrapa Amazônia Oriental. Mais do que encantar o público, a participação da Ufam na Expoagro serve como vitrine para pesquisas pioneiras, como o uso inusitado da casca de café na alimentação desses animais, e como uma grande sala de aula de campo. Com a presença de estudantes, professores e autoridades — incluindo a visita do secretário de Produção Rural, Ricelli Viana Pontes —, a universidade demonstra como a pesquisa científica pode se conectar de forma simples e direta com o dia a dia do setor primário amazonense.

Gigantes gentis e genética de ponta no Amazonas

As grandes estrelas do estande da Faexp são três búfalas que, apesar do porte imponente que inicialmente pode intimidar, conquistam os visitantes por seu temperamento amigável e dócil. Oriundas da Embrapa Amazônia Oriental, duas fêmeas pertencem à raça Mediterrânea e uma à raça Murrah. Longe de serem animais arredios, elas respondem muito bem ao carinho e buscam ativamente o contato humano.

O diretor da Fazenda Experimental, o médico veterinário Hugo Perdigão, destaca que esses animais representam a introdução de uma genética altamente selecionada no estado, focada na alta produtividade leiteira e no ganho de peso corporal acelerado. Como o Amazonas detém hoje o terceiro maior rebanho de búfalos do Brasil, o aprimoramento genético dessas características é fundamental para alavancar a produtividade local. Atualmente, o plantel da Fazenda Experimental conta com 15 fêmeas de búfalo, três machos e três bezerras, servindo como uma importante base de dados científicos vivos para o desenvolvimento regional.

Da sala de aula para a poeira da arena

A Expoagro se consolidou também como uma extensão viva das salas de aula da Ufam. Estudantes do curso de Zootecnia aproveitaram o evento para vivenciar na prática o manejo de animais de grande porte. Sob a orientação dos professores Fábio Jacobs, titular da disciplina de Bubalinocultura, e Graziela Aparecida Santello, da disciplina de Produção de Ruminantes, os alunos realizaram aulas de campo integradas à feira.

De acordo com a professora Graziela, a iniciativa ajuda a desmistificar preconceitos históricos sobre o búfalo. Muitas pessoas ainda confundem os búfalos domésticos com os búfalos-africanos, que são animais selvagens e de temperamento agressivo. No entanto, a realidade doméstica é o oposto: os búfalos são animais tranquilos, apegados à rotina e de fácil manejo. Para os acadêmicos, como Jéssica Silva Castello Branco e Raul Aquino, a oportunidade de avaliar o bem-estar animal sob nutrição adequada e fazer contatos diretos com produtores rurais locais é um diferencial valioso para a carreira profissional.

O superalimento que o mercado começa a descobrir

O potencial econômico da bubalinocultura no Brasil é gigantesco. O professor Fábio Jacobs salienta que os derivados de búfalo superam os bovinos em diversos aspectos nutricionais e de eficiência industrial. O leite de búfala possui 30% menos colesterol do que o leite de vaca e rende muito mais no processamento: enquanto são necessários dez litros de leite bovino para fazer um quilo de queijo frescal, o leite de búfala exige apenas quatro litros para obter o mesmo resultado.

A carne de búfalo também chama a atenção pelo apelo saudável, apresentando até 55% menos calorias do que a carne bovina tradicional. Trata-se de um nicho altamente rentável que começa a ganhar força na região, prometendo abrir portas promissoras para novos profissionais das áreas de Zootecnia, Agronomia e Engenharia de Alimentos.

Sustentabilidade no cocho: Casca de café alimenta rebanho

A inovação mais ousada que a Faexp apresenta nesta edição da Expoagro é a surpreendente conexão entre búfalos e café. Projetos de iniciação científica orientados pelo professor Fábio Jacobs utilizam a casca de café do tipo robusta amazônico — um subproduto que antes era descartado na Fazenda Experimental — como ingrediente alternativo para a alimentação dos animais.

Duas pesquisas de destaque estão sendo demonstradas no evento: a primeira, conduzida pela bolsista Laenes Sousa Silva, estuda os impactos da casca de café na produção e composição centesimal do leite de búfalas das raças Murrah e Mediterrâneo; a segunda, sob responsabilidade da bolsista Sara Reis Auzier, avalia o aproveitamento desse resíduo no desempenho de bezerros submetidos ao sistema de creep feeding.

A proposta científica consiste em substituir frações de 25%, 35% e 45% do farelo de soja, que é um insumo caro e de difícil acesso no Amazonas, pela casca do café robusta na ração concentrada. Ao reaproveitar esse resíduo abundante, a pesquisa não apenas barateia o custo de produção para os pecuaristas, mas também avalia os efeitos reais na lactação e nos teores de gordura, proteínas e sólidos totais do leite. Na vitrine tecnológica da Expoagro, a Ufam prova que sustentabilidade, economia e ciência de ponta caminham juntas para transformar a pecuária do Amazonas.

 

 

Fonte – Ascom

Texto com apoio da Inteligência Artificial/Edição da Coopnews

Foto – Divulgação/Ascom

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