Três pequenos negócios brasileiros de impacto socioambiental representarão o país durante a 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP31), em Antalya, na Turquia, com apoio do Sebrae. Entre os selecionados está a Tekohá, de Belém (PA), que leva para a vitrine internacional sua linha de cosméticos regenerativos formulados a partir da biodiversidade amazônica. Ao lado da marca paraense, integram a comitiva a Bioassu, do Maranhão, criadora de um bioaditivo à base de babaçu que reduz o consumo de diesel, e a Plaspop, de Minas Gerais, responsável por estações de reciclagem que geram renda para catadores. Os três empreendimentos conquistaram o destaque após participarem do Edital de Assistência Técnica Empreender Clima 2026, iniciativa que selecionou 20 negócios sustentáveis para receber mentorias e suporte técnico, contábil, jurídico e comercial. Além de apresentar soluções práticas para os desafios climáticos globais, a presença na COP31 fortalece a busca das empresas por parcerias estratégicas e linhas de financiamento para expansão.
A força do empreendedorismo sustentável brasileiro ganhará projeção global na 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP31), sediada em Antalya, na Turquia. Com o suporte institucional e técnico do Sebrae, três negócios inovadores — Tekohá (Pará), Bioassu (Maranhão) e Plaspop (Minas Gerais) — foram escolhidos para apresentar suas soluções presencialmente no evento internacional.
A seleção é fruto do Edital de Assistência Técnica Empreender Clima 2026, conduzido pelo Sebrae. O programa avaliou e apoiou 20 empreendimentos focados em economia verde, oferecendo diagnóstico individualizado, mentorias e suporte especializado nas áreas técnica, contábil, jurídica e comercial. Os três projetos com maior destaque garantiram o passaporte para a conferência.
A iniciativa está vinculada à plataforma Empreender Clima, lançada originalmente durante a COP30, em Belém (PA), por meio de uma parceria entre o Sebrae, o Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte (MEMP) e a Organização de Estados Ibero-Americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI).
“O Sebrae trabalha para que os empreendedores brasileiros sejam protagonistas da transição para uma economia mais sustentável. Com o Empreender Clima, oferecemos conhecimento, capacitação e oportunidades para transformar soluções inovadoras em negócios competitivos, capazes de gerar renda, preservar o meio ambiente e conquistar novos mercados”, ressalta o presidente do Sebrae, Décio Lima.
Beleza amazônica de Belém para o mundo
Diretamente de Belém, no Pará, a empreendedora Danielle Amaral levará à Turquia a experiência da Tekohá, marca de cosméticos regenerativos que alia inovação na indústria da beleza ao fortalecimento da bioeconomia amazônica.
A empresa utiliza matérias-primas nativas, processos de extração natural e embalagens biodegradáveis ou recicláveis para produzir maquiagens multifuncionais e itens de cuidados com a pele. O modelo de negócios baseia-se na compra de insumos de parceiros regionais e no incentivo a práticas agrícolas regenerativas.
Os números comprovam o alcance socioambiental da empresa paraense: são cerca de 35 hectares sob manejo regenerativo, capacitação de mais de 60 mulheres, atendimento direto a quatro comunidades e impacto positivo para 48 famílias. Além disso, a Tekohá remunera seus fornecedores com valores 15% acima da média de referência praticada no mercado.
Já reconhecida entre os 100 destaques do Prêmio Sebrae Startups 2025 e participante de programas nacionais e internacionais de aceleração, a marca busca agora captar R$ 250 mil em investimentos. O recurso será direcionado à estruturação administrativa, marketing e abertura de canais de exportação — objetivo que ganha impulso estratégico com as conexões proporcionadas pela COP31.
Do babaçu à inovação energética
Representando o Maranhão, a Bioassu, sediada em Coroatá, transformou o aproveitamento integral do coco babaçu em uma solução para a transição energética. A empresa desenvolveu o ABAX, um bioaditivo capaz de reduzir o consumo de óleo diesel sem a necessidade de adaptações mecânicas nos motores.
Em testes realizados ao longo de 2025, o produto proporcionou uma economia de 920 litros de diesel em um volume total de 6.362 litros tratados — uma redução de 12,6%, equivalente a aproximadamente 2,48 toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO₂e) que deixaram de ser emitidas.
Na ponta social, o negócio já destinou R$ 57,6 mil desde 2021 para a aquisição de cocos inteiros junto a cerca de 55 fornecedores extrativistas, reduzindo a dependência da quebra manual das amêndoas. Após reestruturar seu plano de negócios com o apoio do Empreender Clima, a Bioassu busca captar aproximadamente R$ 981,2 mil para quadruplicar sua capacidade produtiva, saltando de uma para quatro toneladas mensais do bioaditivo em até 12 meses.
Reciclagem que gera renda e transforma comunidades
De Minas Gerais, a Plaspop completa o trio brasileiro na COP31 com o projeto Estação Circular. A iniciativa instala pontos de coleta onde os cidadãos entregam resíduos recicláveis em troca de benefícios convertidos em produtos. O material recolhido retorna à cadeia industrial para a fabricação de utensílios e itens do cotidiano, conectando consumo consciente e inclusão produtiva.
Na unidade Estação Circular Superluna, em Betim (MG) — primeira implantada pela empresa —, os resultados entre setembro de 2024 e setembro de 2025 somaram 72,4 toneladas de recicláveis coletados, 1.631 usuários atendidos e R$ 161 mil gerados em receita operacional para organizações de catadores. No período, 28 trabalhadores foram impactados diretamente, R$ 56 mil foram distribuídos em benefícios aos participantes e cerca de 117,2 toneladas de CO₂ deixaram de ser emitidas.
Com unidades já em operação em Belo Horizonte, Sarzedo, Curvelo, Esmeraldas, Mário Campos e Três Marias, a Plaspop planeja expandir sua atuação em Minas Gerais e avançar para o Espírito Santo e o Rio de Janeiro.
Da capacitação ao mercado internacional
As trajetórias da Tekohá, da Bioassu e da Plaspop demonstram como soluções ambientais estruturadas podem alcançar competitividade global. Para apoiar outros empreendedores nessa jornada, a plataforma Empreender Clima oferece cinco cursos gratuitos e on-line sobre empreendedorismo climático, gestão, marketing sustentável e financiamento verde.
O ambiente digital também disponibiliza uma ferramenta de pré-enquadramento de projetos voltada ao Fundo Clima Automático, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), auxiliando pequenos negócios a organizar dados técnicos e financeiros para acessar linhas de crédito sustentável.
Fonte – Agência Sebrae de Notícias
Texto com apoio da Inteligência Artificial/Edição da Coopnews
Foto – Divulgação/ Sebrae
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