Ciência e Tecnologia

O futuro da Terra em debate – Ufam sedia evento sobre crise climática e saberes ancestrais

Encontro na Amazônia - A importância de debater a PluralidadedeMundos no coração da floresta com líderes, cientistas e pensadores.
Cuidado e futuro - Entenda o papel da PluralidadedeMundos na busca por soluções coletivas diante das transformações globais.
Diálogo de saberes - Como o conceito de PluralidadedeMundos ajuda a pensar novas formas de habitar e proteger o planeta.

Diante dos crescentes desafios socioambientais e das transformações do clima, a Universidade Federal do Amazonas (Ufam) se prepara para ser o centro de uma grande reflexão sobre o futuro do planeta. A instituição vai sediar a terceira edição do Seminário Cosmopolíticas do Cuidado no Fim-do-Mundo, encontro que reúne pesquisadores, pensadores e lideranças comunitárias. O evento propõe um mergulho na perspectiva da PluralidadedeMundos, conectando os conhecimentos científicos tradicionais às sabedorias ancestrais para encontrar novos caminhos de preservação e convivência. Ao colocar a Amazônia no centro do debate, o seminário busca repensar nossas relações com a natureza e com as outras formas de vida. A iniciativa reforça o papel fundamental da academia em abrir espaço para diálogos plurais e urgentes, capazes de inspirar ações concretas na busca por soluções coletivas diante das crises globais contemporâneas.


Nos dias 14, 15 e 16 de setembro, a Universidade Federal do Amazonas (Ufam) sedia o 3º Seminário e Encontro de Saberes Cosmopolíticas do Cuidado no Fim-do-mundo. O tema desta edição do evento será Perspectivas Contracoloniais sobre Saúde e Cuidado na Amazônia. Além de fomentar debates a partir dos trabalhos que compõem o projeto-rede Cosmopolíticas, a ocasião também celebra parcerias e perspectivas elaboradas desde o Amazonas.

O objetivo do evento, que será aberto ao público, é construir conhecimento coletivamente, desde a troca de vivências e a pluralidade de mundos e de saberes sobre questões de saúde e cuidado. Para o coordenador do Cosmopolíticas, José Miguel Nieto Olivar, o seminário tem como ponto de partida o modo como “a gente vem estabelecendo relações nos últimos anos para se encontrar elaborando formas mais plurais de pensar, imaginar e de propor o trabalho no campo da saúde, a compreensão da saúde, a compreensão das formas de cuidado, a relação com o Estado, com as ciências, etc”.

O projeto busca tensionar os repertórios que fundamentam a saúde coletiva, considerando como centrais as práticas de cuidado vividas e realizadas nos territórios, compartilhadas por parceiros e parceiras do Cosmopolíticas em comunidades indígenas do Alto Rio Negro (AM), no Terreiro do Pai Jairo que acolhe pessoas LGBTQIA+ em Tabatinga (AM), em organizações sociais de familiares de pessoas encarceradas em Manaus, na periferia da cidade de São Paulo por agricultoras que se organizam no Mulheres da GAU e nos movimentos organizados das trabalhadoras sexuais e demais organizações presentes.

O 3º Seminário e Encontro de Saberes Cosmopolíticas do Cuidado no Fim-do-mundo será a primeira edição do evento realizada fora da instituição-sede do projeto, a Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP. Para Elizângela Baré, doutoranda em saúde pública na USP e pesquisadora do Cosmopolíticas, nos seminários realizados pelo projeto “a gente sempre buscou ter no seminário vozes e corpos das pessoas que não fazem parte da academia, mas promovem todo um contexto de cura, de saúde”.

Amanda Calábria, que é pesquisadora de pós-doutorado no Cosmpolíticas, destaca que a expectativa em relação às discussões sobre saúde e cuidado no evento é a de “pensar em relação a todos os desafios que esses temas trazem para nós, principalmente nós que não vivemos a vida cotidiana na Amazônia, o que nós aqui no Sudeste podemos aprender nesses deslocamentos sobre a luta contra essa lógica que eu chamo de colonialidade”. Por conta da convergência de temas, o evento foi agendado na antevéspera do 10º Congresso Brasileiro de Ciências Sociais e Humanas em Saúde, também conhecido como Abrasquinho, que acontece na Ufam.

A pesquisadora Rafaele Queiroz, que cursa o doutorado em antropologia na Ufam, entende que a edição 2026 do seminário se dispõe a “pensar a Amazônia a partir da Amazônia fazendo esse encontro agora aqui, como uma movimentação no sentido contrário de como a gente sempre percebe como estão pensando a Amazônia e a partir de onde estão pensando a Amazônia”. Para ela, esse encontro proporcionará “a busca de perspectivas de pesquisadores locais que estarão dialogando com pesquisadores de fora”. Júlia Camanho, doutoranda em saúde pública na USP e pesquisadora do Cosmopolíticas, também diz que o evento “têm uma importância porque a gente está fazendo esse seminário em Manaus, porque não é uma questão de localização apenas, mas também das parcerias das pessoas que vão poder compor esse espaço”.

O projeto Cosmopolíticas do Cuidado no Fim-do-Mundo foi contemplado com financiamento Jovem Pesquisador da Fapesp em 2021. O encontro é organizado pelo CPaS-1 – Coletivo de Pesquisa em Antropologia, Arte e Saúde Pública (FSP-USP). O evento conta com o apoio da Pró-reitoria de extensão da Ufam, do Instituto Leônidas & Maria Deane – Fiocruz Amazônia, da Coordenação Regional do Rio Negro da Fundação Nacional dos Povos Indígenas, do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Ufam, do Programa de Pós-Graduação em Saúde Pública da USP, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), do Programa de Apoio a Eventos no País (PAEP) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

 

 

 

 

 

Fonte – Ufam

Texto com apoio da Inteligência Artificial/Edição da Coopnews

Foto – Divulgação/Ascom

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