Os peixes elétricos da Amazônia estão no centro de um debate científico que une pesquisa, curiosidade e preservação ambiental. Durante o Seminários da Amazônia, especialistas apresentaram estudos sobre a eletrocomunicação utilizada pelos gymnotiformes para interagir, se orientar e identificar outros indivíduos nos rios. O evento também mostrou experimentos que ajudam a compreender o comportamento dessas espécies em diferentes situações. As pesquisas reforçam a riqueza da biodiversidade amazônica e destacam o potencial científico da região. Além do conhecimento acadêmico, o tema desperta interesse por revelar habilidades naturais pouco conhecidas do público.
Nesta quinta-feira (11), o Seminários da Amazônia irá receber uma palestra sobre o universo dos peixes e a maneira como desenvolveram unidades organizadas de informação para se comunicarem. O encontro acontecerá a partir das 16h, na Editora Inpa, no Centro de Convivência, prédio 97, Campus I.
O pesquisador do Inpa José Alves Gomes vai apresentar uma visão integrada dos estudos desenvolvidos com os peixes elétricos gymnotiformes – da ordem dos peixes ósseos, como o poraquê. Gomes explica que esses peixes produzem descargas elétricas fracas, chamadas descargas do órgão elétrico, ou DOEs, que funcionam como sinais biológicos fundamentais para orientação, reconhecimento e comunicação.
“Embora esses sinais sejam invisíveis aos nossos sentidos, eles compõem um universo sensorial extremamente rico, no qual cada indivíduo emite uma espécie de “assinatura elétrica” que pode variar entre espécies, populações, sexos, estados fisiológicos e contextos comportamentais.”, completa o pesquisador.
Na palestra, o oceanógrafo irá mostrar possíveis significados comunicativos e suas modulações. O trabalho é feito por Gomes e os pesquisadores do Laboratório de Fisiologia Comportamental e Evolução (LFCE), que buscam entender e explorar até que ponto essas descargas podem ser entendidas como unidades organizadas de informação: de elementos simples, comparáveis a “fonemas”, até sequências mais complexas, que poderiam funcionar como “palavras”, “frases”, “sotaques” ou “dialetos” elétricos.
A pesquisa envolve gravações em laboratório, análises computacionais de sinais, estudos comparativos entre espécies e populações e, ainda, novas ferramentas de detecção de interações elétricas entre indivíduos. Com essa estrutura, o objetivo é compreender como esses peixes codificam variações sutis de frequência, fase, forma de onda e padrões temporais.
Para Gomes, o trabalho ainda pode avançar e analisar questões pouco exploradas. “Indivíduos de uma mesma população compartilham padrões elétricos semelhantes? Espécies diferentes “ouvem” ou interferem nos sinais umas das outras? Certas modulações estão associadas a aproximação, reconhecimento, territorialidade ou reprodução?”, questiona.
A palestra intitulada “Desvendando o universo eletrocomunicativo dos peixes elétricos gymnotiformes: fonemas, palavras, frases, sotaques e dialetos” pretende mostrar as possibilidades de estudo da evolução da comunicação animal e é uma oportunidade para os ouvintes conhecerem melhor essa espécie e compreender que a linguagem da vida pode assumir formas muito diferentes daquelas percebidas pelos sentidos humanos.
Fonte – INPA
Texto com apoio da Inteligência Artificial/Edição da Coopnews
Foto – Divulgação/INPA




