Ciência e Tecnologia

Pesquisa da USP identificou melhora na força muscular, na mobilidade e no desempenho funcional dos participantes.

Pesquisa da USP identificou melhora na força muscular, na mobilidade e no desempenho funcional dos participantes.
Após 24 semanas, 80% dos idosos inicialmente frágeis passaram à condição de pré-fragilidade.
Treinamento realizado em uma unidade básica de saúde também reduziu a pressão arterial sistólica.

Exercícios realizados com o próprio peso corporal podem ajudar a reduzir a fragilidade física e melhorar a capacidade funcional de pessoas idosas. É o que indica uma pesquisa da Universidade de São Paulo (USP), que avaliou os efeitos de um programa de treinamento intervalado aplicado a 60 participantes com média de 74 anos, acompanhados durante seis meses. O estudo foi realizado em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) de Sorocaba, no interior paulista, e identificou avanços na força dos membros inferiores, na velocidade da caminhada e na mobilidade dos participantes que realizaram os exercícios. A pesquisa também registrou redução da pressão arterial sistólica. As sessões ocorreram três vezes por semana, com duração de 30 minutos, e incluíram movimentos adaptados às condições dos idosos, sem necessidade de equipamentos sofisticados. Entre os participantes inicialmente classificados como frágeis, 80% passaram à condição de pré-fragilidade e 20% foram classificados como robustos após 24 semanas. Os resultados reforçam o potencial do exercício físico como estratégia de promoção do envelhecimento saudável e de prevenção da perda de autonomia, especialmente quando a atividade é acompanhada por profissionais e integrada aos serviços de atenção primária à saúde.

Treinamento melhora força e mobilidade

A pesquisa acompanhou 60 participantes, com idade média de 74 anos, durante seis meses. Eles foram distribuídos aleatoriamente em dois grupos: um realizou exercícios com o próprio peso corporal, alternando períodos de esforço e recuperação, enquanto o outro manteve suas atividades habituais e serviu como grupo de comparação.

De acordo com Lucas Marques Vieira, autor da pesquisa desenvolvida na Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP, em parceria com a University of Manitoba, no Canadá, os primeiros resultados positivos foram observados nas 12 primeiras semanas e continuaram evoluindo até o final das 24 semanas de treinamento.

Os participantes que realizaram os exercícios apresentaram melhorias na força dos membros inferiores, na velocidade da caminhada, na mobilidade e no desempenho no teste de levantar e sentar em uma cadeira.

O estudo também identificou redução da pressão arterial sistólica, que corresponde ao valor mais alto da medição. Por outro lado, não foram observadas mudanças relevantes no peso corporal, no índice de massa corporal (IMC), no percentual de gordura ou na massa muscular apendicular.

Como funcionava o programa de exercícios

As sessões de treinamento eram realizadas três vezes por semana, durante 24 semanas, com duração de 30 minutos cada. A programação foi dividida em três etapas:
– Aquecimento: cinco minutos de preparação para os exercícios.

– Treinamento intervalado: 20 minutos, alternando 30 segundos de exercício e 30 segundos de pausa.

– Alongamento: cinco minutos para finalizar a sessão.

A intensidade foi aumentada gradualmente, passando de moderada para vigorosa ao longo do programa.

Os exercícios foram adaptados às condições dos participantes e incluíram variações de agachamentos e outros movimentos multiarticulares, que trabalham diferentes combinações de membros inferiores, membros superiores e região central do corpo, incluindo a musculatura abdominal.

Segundo os pesquisadores, a utilização do próprio peso como resistência permitiu trabalhar diferentes grupos musculares sem a necessidade de equipamentos especializados.

Resultados mostram melhora na condição física

Ao final das 24 semanas, os resultados indicaram mudanças importantes na classificação da fragilidade dos participantes.

Entre os idosos que começaram o estudo classificados como frágeis, 80% passaram à condição de pré-fragilidade e 20% foram classificados como robustos. Já entre aqueles que apresentavam pré-fragilidade no início da pesquisa, 69,2% passaram à classificação de robustos.

O estado de fragilidade foi avaliado pelo modelo conhecido como Fenótipo de Fragilidade de Fried, que considera cinco critérios:
– Perda de peso não intencional: redução de 4,5 quilos ou mais, ou superior a 5% do peso corporal no último ano.

– Exaustão: sensação frequente de cansaço excessivo ou esforço muito elevado para realizar atividades cotidianas.

– Redução da força de preensão manual: diminuição da força das mãos, avaliada por um dinamômetro.

– Baixa velocidade de caminhada: lentidão ao percorrer uma distância determinada, de 4,6 metros no estudo.

– Baixo nível de atividade física: estimativa do gasto energético por meio de questionário.

Pelo modelo, a pessoa é classificada como frágil quando apresenta três ou mais critérios; pré-frágil quando apresenta um ou dois; e robusta quando não apresenta nenhum deles.

Fragilidade é um desafio para a saúde dos idosos

Segundo Francisco Luciano Pontes Júnior, professor de Gerontologia da EACH-USP e orientador da pesquisa, a fragilidade é uma condição clínica caracterizada pelo declínio de múltiplos sistemas fisiológicos e pela diminuição da capacidade do organismo de resistir a situações de estresse, como infecções.

A condição está associada a dificuldades para realizar atividades cotidianas, maior risco de quedas, hospitalizações e morte.

As estimativas citadas na pesquisa apontam que a fragilidade atinge 9,1% da população no Brasil e 17,4% no mundo. A pré-fragilidade é ainda mais frequente: a prevalência estimada é de 51,8% no Brasil e de aproximadamente 46% mundialmente.

Para o professor Pontes Júnior, o treinamento com peso corporal tem potencial para se tornar uma estratégia de manejo da fragilidade na atenção primária à saúde, especialmente por exigir pouca infraestrutura.

O pesquisador também destaca a importância da atuação de profissionais de Educação Física nas unidades básicas de saúde, em conjunto com as equipes de saúde, para prevenir e cuidar de condições crônicas por meio do exercício físico.

Os resultados foram publicados no artigo científico Effect of bodyweight interval training on frailty status in older adults: a randomized controlled trial, na revista European Geriatric Medicine.

 

 

Fonte – Jornal da USP

Texto com apoio da Inteligência Artificial/Edição da Coopnews

Foto – Marcos Santos/USP Imagens

 

– Fragilidade em idosos – Exercícios físicos para idosos

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