Ciência e Tecnologia

Pesquisa revela que fragilidades na gestão ainda limitam o crescimento dos clubes brasileiros

A pesquisa aponta que disputas políticas, falhas de governança e problemas administrativos reduzem a competitividade dos clubes brasileiros, mesmo quando contam com bons elencos.
Os resultados indicam que os clubes brasileiros com gestão mais organizada têm maior capacidade de alcançar estabilidade financeira e melhores desempenhos esportivos.
Estudo da USP mostra que a qualidade da administração continua sendo um dos principais desafios enfrentados pelos clubes brasileiros dentro e fora de campo.

Ter um elenco competitivo já não é suficiente para garantir bons resultados no futebol. Uma pesquisa desenvolvida pela Universidade de São Paulo (USP) revela que a estrutura administrativa dos clubes brasileiros ainda apresenta fragilidades que impactam diretamente o desempenho esportivo e financeiro das equipes. O estudo mostra que problemas de governança, disputas políticas internas e falhas na gestão comprometem a eficiência das organizações, mesmo quando elas contam com atletas de alto nível. Em contrapartida, os dados indicam que os clubes brasileiros que investem em planejamento, transparência e uma administração profissional conseguem construir projetos mais sólidos, sustentáveis e competitivos, refletindo em melhores resultados dentro e fora das quatro linhas.


O futebol é uma das maiores paixões da população brasileira. Os clubes e campeonatos nacionais movimentam milhões de reais todos os anos. Apesar da importância econômica e cultural da modalidade, falhas de governança e transparência ainda permeiam a gestão dos clubes e geram consequências financeiras e esportivas. É o que aponta um estudo da Escola de Educação Física e Esporte da USP, realizado em parceria com a Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária (FEA-USP) e a Universidade Federal de Lavras.

De acordo com os professores e autores da pesquisa, Ary José Rocco Júnior e Ivan Furegato Moraes, foram analisados os clubes que disputaram as quatro divisões do Campeonato Brasileiro (Séries A, B, C e D), além dos participantes da Copa do Brasil. Na primeira etapa, os pesquisadores avaliaram os sites dos clubes em busca de informações relacionadas à transparência da gestão e à divulgação de documentos institucionais. Em seguida, realizaram entrevistas com dirigentes das equipes.

Realidades distintas entre os clubes

Ary José Rocco Júnior explica que existe um grande desnível entre os clubes que participam das competições organizadas pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Segundo ele, muitas equipes da Série D sequer possuem site oficial ou canais de contato. Em contrapartida, a maioria dos clubes da Série A já conta com estruturas mais profissionalizadas e apresenta avanços em governança.

Apesar das diferenças de organização administrativa, o pesquisador observa que, de maneira geral, os clubes possuem estruturas esportivas relativamente completas para a organização do futebol. Ainda assim, mesmo as equipes mais bem estruturadas apresentam um atraso em relação aos principais clubes europeus. Segundo os pesquisadores, ainda são poucas as organizações que investem de forma consistente em inovação tecnológica e no desenvolvimento de novos modelos de negócio.

Os impactos da política interna

A política interna é apontada como um dos principais entraves à modernização da gestão dos clubes brasileiros. Ivan Furegato Moraes afirma que grande parte dos problemas organizacionais identificados no estudo está relacionada às disputas políticas, especialmente nos clubes associativos, onde diferentes grupos disputam o poder e as frequentes mudanças de gestão dificultam a continuidade dos projetos.

Como consequência, é comum que integrantes do próprio clube atuem contra a administração em exercício, comprometendo decisões estratégicas e atrasando processos de profissionalização. O pesquisador ressalta ainda que, embora cada clube possua identidade e cultura organizacional próprias, esses valores nem sempre são aproveitados como instrumentos de fortalecimento institucional.

Modelos de inspiração

Os pesquisadores defendem que o Brasil deve buscar referências internacionais, mas sem reproduzir integralmente modelos adotados em outros países, já que o contexto brasileiro apresenta características culturais, organizacionais e legais próprias. Ainda assim, experiências de países como Espanha, Alemanha, Inglaterra e França podem servir de inspiração, especialmente nas áreas de governança, gestão e desenvolvimento dos clubes.

Os autores também citam o esporte norte-americano como referência em aspectos da administração esportiva. Para eles, adaptar boas práticas internacionais à realidade brasileira pode fortalecer não apenas os grandes clubes, mas também as equipes de menor porte.

Papel do torcedor

Além das diretorias, os pesquisadores destacam que os torcedores também podem contribuir para a profissionalização dos clubes. Segundo Ary José Rocco Júnior, embora a paixão continue sendo o principal vínculo entre o público e o futebol, a torcida deve cobrar maior transparência e eficiência na gestão.

Para o pesquisador, os clubes que conseguem se organizar melhor administrativamente tendem também a alcançar resultados esportivos mais consistentes.

 

 

Fonte – USP

Texto com apoio da Inteligência Artificial/Edição da Coopnews

Foto – Pressfoto/Magnific

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