Ciência e Tecnologia

Poluição sonora das cidades pode aumentar risco de Alzheimer e Parkinson

Quando se soma à poluição do ar, a PoluiçãoSonora pode formar uma combinação especialmente preocupante para quem vive nos grandes centros urbanos.
Ruídos de carros, ônibus e trens podem afetar áreas do cérebro ligadas à memória, emoções e outras funções cognitivas. Subtítulo 2: Exposição prolongada à PoluiçãoSonora é apontada como um fator ambiental que merece atenção para a saúde cerebral.
Exposição prolongada à Poluição Sonora é apontada como um fator ambiental que merece atenção para a saúde cerebral.

O barulho constante das cidades pode representar mais do que um incômodo para quem vive cercado pelo trânsito. A exposição crônica à PoluiçãoSonora provocada por carros, ônibus e trens está sendo associada a possíveis impactos sobre a saúde do cérebro e a um maior risco de doenças neurodegenerativas, como Alzheimer e Parkinson. Estudos indicam que o ruído prolongado pode afetar regiões cerebrais relacionadas à memória, às emoções e a outras funções importantes. O problema pode se tornar ainda mais preocupante quando a poluição sonora aparece junto à poluição atmosférica, uma realidade comum nos grandes centros urbanos. A combinação de ruído e ar contaminado reforça a necessidade de olhar para a qualidade ambiental das cidades também como uma questão de saúde pública.


Ruídos provenientes de meios de transporte, como carros, ônibus e trens, estão associados a um maior risco de doenças neurológicas. Pesquisadores dinamarqueses estudaram a exposição prolongada a esse tipo de barulho e identificaram uma relação com o aumento do risco das doenças de Alzheimer e de Parkinson.

No Brasil, onde, segundo dados do IBGE, 87,4% da população vive em áreas urbanas, escapar da poluição sonora é impossível para muitas pessoas, principalmente em cidades como São Paulo. Idosos, que já apresentam maior predisposição a essas doenças, e pessoas que vivem próximas a rodovias ou ferrovias estão entre as mais expostas.

Os efeitos no cérebro

A exposição crônica à poluição sonora pode afetar diferentes regiões do cérebro. No caso da doença de Alzheimer, entre as áreas envolvidas estão os lobos temporais, relacionados à formação de memórias, e o córtex pré-frontal, responsável por funções como a tomada de decisões, como explica Sonia Brucki, professora da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) e coordenadora do Grupo de Neurologia Cognitiva e do Comportamento do Hospital das Clínicas da FMUSP.

Outro possível efeito é a desregulação de substâncias produzidas naturalmente pelo organismo. Alterações na amígdala cerebral, que a neurologista descreve como responsável pela regulação das emoções, podem interferir na produção e no funcionamento de neurotransmissores como a dopamina. Segundo a professora, alterações nesse sistema podem prejudicar funções relacionadas à aprendizagem, à memória e ao controle motor, mecanismos envolvidos em doenças neurodegenerativas como o Parkinson.

Também é importante nesse processo o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, responsável, entre outras funções, pela regulação da produção de cortisol. “Essas vias neuroendócrinas estão associadas a estados de ansiedade, que também pioram o aprendizado e o comprometimento da memória”, explica Sonia.

As consequências também podem estar relacionadas ao acúmulo das proteínas tau e beta-amiloide no cérebro. Quando essas proteínas se acumulam de forma anormal, estão associadas ao desenvolvimento da doença de Alzheimer.

O combate ao barulho

A poluição sonora também está relacionada à poluição atmosférica produzida por motores a combustão, que, por sua vez, também pode aumentar o risco de demência. Por isso, a presença de árvores pode contribuir para reduzir os efeitos da poluição sonora. Além da importância ambiental, elas “bloqueiam a passagem do som”, comenta a professora.

Também é importante garantir que, durante a noite, os níveis de ruído sejam adequados para favorecer um sono de qualidade. A neurologista destaca os ruídos provocados por caminhões e obras, que podem levar à “fragmentação ou privação crônica de sono, que impactam a retirada de substâncias anômalas do cérebro que ocorrem durante o sono”.

Nesse contexto, medidas de isolamento acústico nas residências podem contribuir para reduzir a exposição aos ruídos e preservar a qualidade do sono.

 

 

Fonte – USP

Texto com apoio da Inteligência Artificial/Edição da Coopnews

Foto – Paulo Pinto/Agência Brasil

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