O endividamento já não é apenas um problema financeiro. Ele passou a ser reconhecido como um fator que afeta diretamente a saúde emocional dos brasileiros. Uma pesquisa da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) revela que cerca de 40% da população adulta está endividada. Entre essas pessoas, 77% relatam que as dívidas interferem na saúde emocional, na convivência familiar e na qualidade de vida, enquanto 84% dizem que a falta de dinheiro impacta o bem-estar mental.
A pressão financeira não fica restrita ao orçamento. Especialistas explicam que o endividamento constante pode provocar ansiedade, estresse, dificuldades para dormir, queda de produtividade e abalar a autoestima. Muitas pessoas convivem com culpa, medo e sensação de fracasso ao lidar com dívidas, criando um ciclo silencioso de sofrimento emocional.
Sem planejamento, o uso frequente do cartão de crédito e de empréstimos tende a agravar o problema. Um exemplo comum é o atraso da fatura: uma dívida de R$ 1 mil pode se aproximar de R$ 1,6 mil em três meses, devido aos juros, ampliando a pressão financeira e emocional sobre as famílias. A pesquisa também mostra que 55% dos entrevistados dizem entender pouco ou nada de educação financeira, o que dificulta reorganizar o orçamento em momentos de aperto ou imprevistos.
Por isso, cuidar da vida financeira também significa cuidar da saúde emocional. Organizar o orçamento, definir prioridades e renegociar dívidas de forma consciente ajuda a reduzir a ansiedade, recuperar a confiança e retomar o controle sobre a própria vida.
Para Alexsandra Luiz, gerente de operações de negócios da Sicoob Coopmil, falar sobre dinheiro é, também, falar sobre bem-estar. “Quando a pessoa entende sua realidade financeira, aprende a organizar prioridades e percebe que o endividamento não é uma falha individual, consegue tomar decisões mais conscientes. Isso reduz a ansiedade e contribui para escolhas mais sustentáveis ao longo do tempo”, afirma.
Ela destaca ainda que a educação financeira tem papel central nesse processo, porque oferece informação, orientação e apoio contínuo. “Educação financeira não é só fazer contas. É trazer clareza, diminuir o medo e ajudar as pessoas a retomarem o controle do orçamento, o que impacta diretamente a saúde emocional e as relações familiares”, explica.
Em um cenário em que o endividamento ainda é alto no país, com juros elevados e uso frequente de crédito, ampliar o acesso à informação e incentivar o diálogo sobre finanças pessoais deixou de ser apenas uma questão econômica. Hoje, é também uma forma de cuidar do bem-estar emocional dos brasileiros.
Fonte – Ascom
Ediçãom- Coopnews
Foto – Divulgação/Ascom




