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Sistemas aeroportuários precisam se estruturar para amenizar impacto das mudanças climáticas

O Aeroporto Internacional Salgado Filho, no Rio Grande do Sul, foi severamente afetado pelas enchentes que atingiram o Estado e só deve reabrir em setembro. O professor Jorge Eduardo Leal Medeiros, da Escola Politécnica (Poli) da Universidade de São Paulo, analisa os próximos passos de reestruturação do aeroporto para voltar ao funcionamento e quais critérios devem ser seguidos pelas estruturas aeroportuárias para prevenir os impactos das novas questões climáticas.

Segundo o especialista, as cheias dos rios que formam o Guaíba aconteceram de uma forma excepcional e por isso os estragos foram tão grandes, mas ele acredita que não foram dedicados investimentos necessários à manutenção do conjunto de diques e das bombas responsáveis pelo escoamento. Dessa forma, Medeiros afirma que os resultados dos maus investimentos e falta de administração só foram sentidos após a tragédia.

“O que tem que ser feito agora é atuar nesse sentido de melhorar a defesa. Mas, no caso do Aeroporto de Porto Alegre, o impacto foi brutal, porque ele tem uma movimentação anual na ordem de 8 milhões de passageiros, o que representa aproximadamente 3,5% ou 4% de toda a demanda aérea comercial do País”, conta.

Danos

De acordo com o professor, as pistas de pouso não sofreram impactos tão fortes e ainda será analisada a necessidade de reparos, principalmente na pavimentação. O terminal de passageiros, no entanto, demanda grandes restaurações na parte de escadas rolantes, iluminação e equipamentos embutidos no subsolo e o prazo de retomar o funcionamento em setembro, segundo Medeiros, é adequado para sanar todas as carências. Ele conta que a parte de equipamentos e suportes também será analisada minuciosamente porque certamente foram afetadas.

Conforme o docente, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) já autorizou a base aérea de Canoas, próxima à Porto Alegre, a operar cinco voos diários para atender uma série de demandas da região. Medeiros conta que provavelmente a Anac também vai liberar outros espaços aéreos de pequenas cidades do interior gaúcho para a efetivação dessa pequena quantidade de voos.

Prevenção

De acordo com Eduardo Leal Medeiros, o caso do Aeroporto Salgado Filho evidencia a importância de adequação do sistema aeroportuário às mudanças climáticas e aos possíveis desastres naturais. Na parte sustentável e de amenização dos gases de efeito estufa, ele conta que já existe grande preocupação das autoridades competentes, mas ainda precisam ser pensadas maneiras de implementar cada vez mais a utilização de fontes renováveis nos equipamentos dos aeroportos, como ocorre em Brasília, em que 60% da energia utilizada é hidráulica.

“Então é preciso cada vez mais nos preocupar com essa questão de proteger o ar, como proteger essas águas que eventualmente podem voltar a se dirigir às cidades. O governo também precisa providenciar com rapidez o aumento na capacidade de voos das bases aéreas próximas a Porto Alegre. Isso é uma discussão muito séria e precisa ser pensado se esses voos serão de curta ou de média distância e se serão voos que vão atender também às cidades do interior do Estado que não têm aeroportos”, finaliza.

Fonte – Ascom

Foto – Divulgação

 

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