Cultura

Ufam amplia diálogo e fortalece a educação escolar indígena no Amazonas

As discussões reforçam o respeito às identidades e apontam caminhos para avançar na educação escolar indígena no estado.
O documento final aborda temas como autodeclaração, pedagogias interculturais e acesso ao ensino superior.
A universidade reúne propostas que ajudam a construir políticas mais próximas da realidade indígena.

A Universidade Federal do Amazonas (Ufam) marcou presença no Encontro Estadual de Educação Escolar Indígena do Amazonas 2026 ao apresentar ações que vêm fortalecendo a Educação Escolar Indígena (EEI) no estado e em toda a região Norte. O evento reuniu lideranças indígenas, representantes dos Territórios Etnoeducacionais e instituições públicas para debater avanços, desafios e caminhos para uma educação mais conectada às realidades dos povos indígenas.

Durante a programação, a reitora Tanara Lauschner destacou iniciativas que aproximam a universidade das demandas do movimento indígena e dos estudantes. Entre elas, a construção do campus da Ufam em São Gabriel da Cachoeira, município com a maior população indígena do país. A instituição já iniciou as obras da estrutura física e garantiu 40 novas vagas para docentes, reforçando o compromisso com a expansão do ensino superior na região.

A reitora também citou ações voltadas à permanência estudantil, como o edital do auxílio Tapera, no âmbito do Parfor, e a criação da Cuidoteca, espaço que vai acolher filhos e filhas de estudantes indígenas durante as atividades acadêmicas. Segundo Tanara, as políticas são construídas em diálogo com os povos indígenas, o governo federal, o Ministério da Educação e a Secadi, com o objetivo de tornar a Ufam uma universidade cada vez mais indígena, diversa e inclusiva.

Ao longo de quatro dias, os oito Territórios Etnoeducacionais do Amazonas tiveram espaço para apresentar diagnósticos e propostas. Lideranças de diferentes regiões do estado participaram dos debates, compartilharam experiências e apontaram prioridades para o fortalecimento da educação escolar indígena, garantindo voz ativa aos povos que vivem essa realidade no cotidiano.

A professora Danielle Munduruku, diretora de Políticas Afirmativas da Proext/Ufam e secretária do Fórum de Educação Escolar e Saúde Indígena do Amazonas (Foreeia), destacou o encontro como um espaço de articulação entre as redes de ensino. Segundo ela, o Fórum reúne professores indígenas e instituições para construir, de forma coletiva, caminhos que fortaleçam a educação escolar indígena em todo o Amazonas.

“Mas, como essa [educação] é diferenciada, participam também os caciques, as lideranças e as organizações representativas dos territórios. Na perspectiva da educação escolar indígena, toda a aldeia é uma escola, sendo este momento como uma extensão das diferentes aldeias. […] Agora em 2026, o encontro é a culminância dos encaminhamentos do encontro estadual de 2025, que foi o primeiro. Juntos, nós traçamos metas. Entre elas, a criação de grupos de trabalho para encontrar dados para promover políticas para a educação escolar indígena”, disse a professora. A secretária da Foreeia citou como exemplo o exemplo Programa de Apoio à Formação Superior e Licenciaturas Interculturais Indígenas (Prolind), criado em 2005 e vinculado à Secadi/MEC.

Consolidação

“Todo direito e toda conquista vêm da ação do movimento indígena”, afirmou o pesquisador do Imaginable Futures, Paulo Shinji, a respeito de uma pesquisa sobre o financiamento público para a educação escolar indígena. O levantamento resultou na publicação diagnóstica sob o título “Do território ao papel: caminhos para o financiamento da educação escolar indígena”, obra elaborada sob o aconselhamento do professor da Ufam Gersem Baniwa, e que está disponível neste link para download gratuito.

Elaborado no último dia de evento, o “Documento Final” reuniu as propostas para um conjunto de temas estratégicos para a educação escolar indígena no contexto estadual, desde a autodeclaração, passando pelas políticas educacionais e as pedagogias interculturais, até a educação superior e seus desafios, como acesso, permanência e conclusão dos cursos. O compilado foi lido pela professora Danielle Munduruku. “As propostas aqui consolidadas expressam nossas demandas históricas e refletem a diversidade sociocultural, territorial, linguística e política que caracteriza os povos indígenas do estado. […] Nenhuma política educacional voltada aos povos indígenas pode ser construída sem a escuta qualificada e o protagonismo indígena”.

Na última parte do texto, os povos indígenas do Amazonas reafirmaram a disposição para o diálogo, além da firme defesa dos direitos. “As propostas representam consensos construídos coletivamente”. A íntegra do documento será encaminhada aos participantes e representantes das instituições convidadas por e-mail.

 

Fonte – Ufam

Edção – Coopnews

Foto – Divulgação/Ufam

temas relacionados

clima e tempo

publicidade

baixe nosso app

outros apps