Cultura

Ibram fortalece museus brasileiros, mas não administra unidades no Amazonas

Instituto coordena políticas públicas, preserva acervos e promove o acesso à memória e à diversidade cultural do país.
Rede federal reúne 30 museus em nove estados, enquanto instituições amazonenses integram o cadastro nacional e participam de iniciativas do setor.
Programas de educação, acessibilidade, pesquisa e cooperação buscam fortalecer os museus e ampliar a participação das comunidades.

O Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) desempenha um papel importante na preservação da memória nacional, na formulação de políticas públicas e no fortalecimento dos museus brasileiros. Vinculado ao Ministério da Cultura (MinC), o órgão administra diretamente 30 museus federais distribuídos por nove estados, mas não possui unidades sob sua gestão direta no Amazonas nem na Região Norte, conforme as informações reunidas nos materiais consultados. Isso não significa, porém, que os museus amazonenses estejam fora do panorama museológico nacional. Instituições como o Museu Amazônico, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), e o Museu do Índio, em Manaus, aparecem em iniciativas de cadastro e divulgação que contribuem para mapear o setor. Por meio de plataformas digitais, programas educativos, ações de formação, cooperação técnica e mobilização social, o Ibram busca ampliar o acesso aos acervos, proteger o patrimônio cultural e valorizar diferentes experiências históricas. A atuação do Instituto também envolve o incentivo à acessibilidade, à sustentabilidade e à participação das comunidades na construção das políticas para os museus.

O Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), autarquia vinculada ao Ministério da Cultura, tem como missão garantir à população brasileira o direito às memórias, fortalecendo os museus, valorizando os profissionais do setor e promovendo a preservação do patrimônio museológico.

Sua atuação abrange a formulação e o acompanhamento de políticas públicas, a produção de informações sobre as instituições museológicas, a formação de profissionais e o desenvolvimento de ações educativas, culturais e de acessibilidade. O trabalho é realizado em diálogo com museus, Pontos de Memória, governos estaduais e municipais, universidades e organizações da sociedade civil.

Embora administre diretamente 30 museus federais distribuídos por nove estados, o Instituto não mantém unidades sob sua administração direta no Amazonas ou em outros estados da Região Norte, segundo as informações apresentadas nos materiais de referência. No estado, a gestão dos museus é realizada por instituições como o Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, além de universidades e organizações particulares.

Isso não impede a participação das instituições amazonenses em iniciativas nacionais de informação, intercâmbio e valorização da memória. O Museu Amazônico, vinculado à Ufam, e o Museu do Índio, em Manaus, são exemplos de instituições que podem ser identificadas por meio de plataformas e iniciativas relacionadas ao campo museal.

Da Política Nacional de Museus à criação do Ibram

A trajetória do Instituto começou a ganhar forma em 2003, com o lançamento da Política Nacional de Museus. Construída com a participação de profissionais, instituições e representantes do setor, a iniciativa estabeleceu diretrizes para preservar, valorizar e desenvolver os museus brasileiros.

O processo foi consolidado em janeiro de 2009, com dois marcos legais. A Lei nº 11.904 instituiu o Estatuto de Museus, estabelecendo princípios e parâmetros para o funcionamento dessas instituições. Já a Lei nº 11.906 criou o Ibram como autarquia federal, com autonomia administrativa e financeira.

O Instituto assumiu a coordenação da Política Nacional de Museus e a gestão dos museus federais até então vinculados ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Após a extinção do Ministério da Cultura, em 2019, o Ibram esteve vinculado aos ministérios da Cidadania e do Turismo. Com a recriação do MinC, em 2023, voltou a integrar a estrutura da pasta.

A Política Nacional de Museus considera os museus e os processos de memória instrumentos de cidadania, inclusão social e valorização da diversidade cultural. Seu planejamento para os próximos anos está reunido no Plano Nacional Setorial de Museus, elaborado a partir de cerca de 700 contribuições de profissionais, instituições, redes, gestores públicos e representantes da sociedade civil.

O plano reúne 39 diretrizes organizadas em quatro eixos, que abordam gestão, financiamento, preservação, participação social, acessibilidade, diversidade, sustentabilidade e transformação digital.

Museus federais e patrimônio preservado

Os 30 museus administrados pelo Ibram estão distribuídos por nove estados das regiões Sudeste, Nordeste, Centro-Oeste e Sul. A rede reúne acervos históricos, artísticos, arqueológicos, etnográficos, documentais e bibliográficos, ligados a diferentes períodos e experiências da sociedade brasileira.

Entre as instituições estão o Museu da Abolição, no Recife (PE); o Museu das Missões, em São Miguel das Missões (RS); o Museu da Inconfidência, em Ouro Preto (MG); e o Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro (RJ).

Muitos desses museus funcionam em edificações dos séculos XVIII, XIX e XX, originalmente construídas para outras finalidades. A rede inclui palácios, residências, construções militares e religiosas e antigas casas de Câmara e Cadeia.

Os espaços ocupam uma área aproximada de 931 mil metros quadrados e compreendem 99 edificações, além de jardins históricos, áreas verdes, espaços de proteção ambiental e matas nativas.

Além de conservar os acervos, os museus promovem exposições, pesquisas, atividades educativas e ações culturais. Também trabalham para ampliar o acesso público às coleções e estimular novas interpretações sobre a história, a memória e a diversidade do país.

Como o Amazonas se relaciona com as políticas nacionais

Embora não possua museus administrados diretamente pelo Ibram, o Amazonas conta com instituições que participam do cenário museológico brasileiro e podem ser identificadas em mecanismos nacionais de informação.

O Museu Amazônico, da Universidade Federal do Amazonas, é uma dessas instituições. O Museu do Índio, em Manaus, também aparece no Cadastro Nacional de Museus, ferramenta que reúne informações sobre instituições museológicas do país.

É importante distinguir o cadastro da administração direta. A presença de um museu em uma plataforma nacional não significa que ele seja gerido pelo Ibram. O cadastro permite identificar e conhecer as instituições, enquanto a gestão depende do vínculo administrativo de cada unidade.

No Amazonas, museus como os instalados no Palacete Provincial estão ligados à estrutura estadual de cultura. Há também instituições mantidas por universidades e organizações particulares, com responsabilidades próprias pela conservação e pelo funcionamento dos espaços.

A cooperação técnica, os programas nacionais e as atividades de mobilização podem aproximar essas instituições das políticas públicas do setor, sem alterar automaticamente sua vinculação administrativa.

Cadastro nacional e acesso digital aos acervos

Para conhecer melhor a realidade dos museus brasileiros, o Ibram mantém o Cadastro Nacional de Museus (CNM), que reúne, sistematiza e divulga informações sobre as instituições museológicas.

Os dados podem ser consultados na plataforma MuseusBr, que apresenta informações sobre localização, gestão, acervos, infraestrutura, acessibilidade, serviços e visitação. Conforme o material de referência, a base reúne aproximadamente 4,1 mil museus e 536 Pontos de Memória.

A plataforma também abriga o Registro de Museus, instrumento previsto no Estatuto de Museus. Embora relacionados, os mecanismos possuem funções diferentes: o Cadastro permite mapear e conhecer as instituições, enquanto o Registro tem caráter documental e acompanha processos como criação, fusão, incorporação, cisão ou extinção de museus.

Na área de difusão digital, a Brasiliana Museus reúne acervos de instituições brasileiras em um repositório para consulta pública. Museus de diferentes regiões podem aderir à iniciativa e integrar suas coleções à plataforma.

O Instituto também é reconhecido como Instituição Científica, Tecnológica e de Inovação (ICT). Essa condição permite que o Ibram e os museus sob sua gestão participem de editais e chamamentos de apoio à pesquisa relacionados à conservação, à investigação de acervos e ao desenvolvimento tecnológico.

Outra frente é a proteção do patrimônio. O Cadastro de Bens Musealizados Desaparecidos (CBMD) reúne dados e imagens de objetos furtados, roubados ou desaparecidos, com o objetivo de auxiliar sua identificação e recuperação. O Instituto também realiza ações de fiscalização para verificar o cumprimento das normas de segurança e preservação aplicáveis aos museus.

Participação social, educação e acessibilidade

O diálogo com a sociedade é parte da atuação do Ibram, desde a formulação das políticas públicas até as atividades realizadas pelas instituições. Essa participação ocorre por meio de conselhos, órgãos colegiados, consultas públicas, audiências, encontros territoriais e grupos de trabalho.

Entre as instâncias de participação estão o Conselho Consultivo do Patrimônio Museológico (CCPM), que assessora o Instituto em questões relacionadas às políticas e ao patrimônio museológico, e o Comitê Consultivo do Programa Pontos de Memória (CCPPM), formado por representantes do poder público e da sociedade civil das cinco regiões brasileiras.

O Sistema Brasileiro de Museus (SBM), por sua vez, promove a articulação entre museus públicos, privados e comunitários.

O Programa (re)Conexões também contribui para o diálogo com os territórios. Por meio de encontros em diferentes estados, a iniciativa permite compartilhar experiências, identificar demandas locais e construir agendas de trabalho para o setor.

Já o Programa Pontos de Memória é voltado a iniciativas desenvolvidas por comunidades e coletivos culturais. A certificação possibilita a inclusão das iniciativas no Cadastro Nacional de Pontos de Memória e sua participação nas ações previstas pelo programa.

A mobilização também ocorre durante a Semana Nacional de Museus, realizada em maio, e a Primavera dos Museus, em setembro. As programações são organizadas pelos próprios museus e Pontos de Memória, de acordo com suas realidades e seus públicos.

Outro espaço de discussão é o Fórum Nacional de Museus, que reúne profissionais, pesquisadores, gestores, estudantes, organizações e movimentos sociais para compartilhar experiências e debater os rumos das políticas públicas do setor.

Na área educativa, a Política Nacional de Educação Museal (PNEM) estabelece orientações para práticas e programas educativos e culturais, com participação de educadores, profissionais e instituições em sua construção.

O programa Acesse Museus reúne ações voltadas à acessibilidade física, comunicacional, informacional, metodológica e atitudinal. O objetivo é contribuir para que diferentes públicos tenham melhores condições de acesso aos espaços e acervos.

A formação profissional é desenvolvida por meio de cursos, oficinas, publicações e orientações técnicas. O Programa Saber Museu reúne conteúdos sobre gestão, documentação, preservação de acervos, educação, acessibilidade e outros temas do cotidiano das instituições.

A Política de Economia de Museus e Pontos de Memória, por sua vez, reúne ações relacionadas à sustentabilidade e à gestão dessas organizações.

Cooperação internacional e proteção da memória

A atuação do Ibram também alcança o cenário internacional, com cooperação técnica e participação em fóruns e iniciativas dedicados ao setor museal. As atividades envolvem intercâmbio de experiências e debates sobre políticas públicas, preservação de acervos e função social dos museus.

Entre as iniciativas está o Programa Ibermuseus, criado a partir da Declaração da Cidade de Salvador, assinada em 2007 pelos 22 países ibero-americanos. O Brasil integra o Conselho Intergovernamental e participa de ações de formação, pesquisa, educação, produção de dados e proteção do patrimônio.

O Instituto também atua em iniciativas relacionadas à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), ao Mercosul Cultural e ao Brics. Nesses espaços, participa de debates e projetos ligados à preservação dos acervos e ao combate ao tráfico ilícito de bens culturais.

A atuação nacional e internacional do Ibram evidencia a diversidade de ações necessárias para proteger a memória coletiva, fortalecer os museus e ampliar o acesso à cultura. No Amazonas, embora a gestão direta dos museus não esteja sob responsabilidade do Instituto, o cadastro das instituições e a participação em programas e iniciativas do setor ajudam a conectar a realidade local às políticas museológicas brasileiras.

Informações sobre políticas, programas, serviços, editais e ações do Ibram estão disponíveis no portal oficial do Instituto e em seus perfis nas redes sociais.

 

 

Fontes – Brasil 61 — Ibram atua na preservação da memória e no fortalecimento dos museus brasileiros.

Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) — informações institucionais sobre a trajetória e a atuação do Instituto.

Universidade Federal do Amazonas (Ufam) — informações sobre o Museu Amazônico.

Cadastro Nacional de Museus — informações sobre o Museu do Índio, em Manaus.

Texto com apoio da Inteligência Artificial/Edição da Coopnews

Foto – Arthur Henrique / MinC

 

Ibram Museus no Amazonas

 

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