Desde, estima-se, o século X, os povos originários da China utilizavam um método que pode ser considerado a primeira vacina contra a varíola. A varíola é doença viral conhecida desde, acredita-se, cerca de 10 mil anos a.C. Produz pústulas, que cicatrizam com crostas, e cicatrizes importantes. Devido a sua gravidade, muitas foram as tentativas de controlar sua expansão.
Os chineses retiravam as crostas das feridas causadas pela varíola e as transformavam em um pó, o qual continha o vírus inativo, e, ou o inoculavam no nariz das pessoas, ou sopravam o pó no rosto destas. Este método, denominado variolação, expandiu-se pelo Oriente e foi levado para a Grã-Bretanha na época da colonização.
O médico inglês Edward Janner, no final do século XVIII, observou que populações rurais que tinham contato com a varíola bovina não contraíam a varíola humana caso já houvessem adquirido a forma bovina da doença, muito mais branda. Assim, aplicou os dois vírus, humano e bovino, em um menino saudável. Após algum tempo, o médico inoculou líquido extraído de uma pústula de varíola humana no menino, e ele não contraiu a doença, o que significava que estava imune à varíola.
Estes foram os primeiros experimentos de Janner, sendo que, posteriormente, testou suas observações de maneira científica e, devido a isto, é considerado o descobridor da vacina. Após o experimento citado, o cientista francês Louis Pasteur descobriu a possibilidade de produzir vacinas a partir de microrganismos, como vírus e bactérias. Desde estes eventos, a produção de vacinas evoluiu muito, de modo que hoje existem uma série de tecnologias novas.
De modo geral, as vacinas podem ser produzidas a partir de microrganismos enfraquecidos ou inativados, ou também de componentes antigênicos. A vacina é capaz de “ensinar” as células de imunidade a reconhecer os microrganismos e, assim, evitar que se multipliquem, o que causaria a infecção. Graças a este processo, foi possível o controle e até a erradicação de uma série de enfermidades que assombraram a humanidade por muito tempo, como a própria varíola, a poliomielite, o tétano, a coqueluche, entre outras.
Desde as primeiras tecnologias da vacina, percorreu-se um longo caminho no mundo inteiro até que a vacinação em massa chegasse ao patamar atual. No Brasil, um dos primeiros desafios foi a Revolta da Vacina, ocorrida em 1904, logo após a campanha de imunização obrigatória liderada por Oswaldo Cruz. Parte da população brasileira acreditava que as vacinas provocariam feições bovinas e outras deformidades uma vez que era produzida a partir de vacas doentes. Outros boatos e informações falsas faziam com que a população temesse contrair a doença em sua forma mais grave após a vacinação.
Nos dias atuais, a pandemia do novo coronavírus causou uma mobilização internacional para a contenção do vírus. Assim, houve um grande desenvolvimento das tecnologias de estudo dos vírus, bem como de produção de vacinas e medicações. Conforme comenta Flávia Trench, médica infectologista: “Hoje a gente sabe que não é só um Sars-CoV-2, mas qual a variante, de onde veio e qual sua especificidade. Isso era uma coisa que em outras pandemias e endemias a gente não tinha acesso”. Entre outras tecnologias, está o uso de vacinas.
É importante chamar atenção para o fato de que a vacinação é especialmente importante para crianças e para pessoas idosas. No primeiro caso, a imunidade que ainda está em pleno processo de desenvolvimento e, no segundo, há a imunosenescência.
A imunosenescência é o declínio normal fisiológico da imunidade, que acontece de maneira progressiva ao longo do curso da vida. Isto acontece devido a uma série de alterações no corpo, principalmente a menor capacidade das células de defesa de sinalizarem a presença de microrganismos que podem produzir enfermidades. Como consequência, não se tem apenas imunidade mais fraca em comparação a outras faixas etárias, mas também uma resposta mais branda às vacinas. É por este motivo que este grupo populacional é priorizado no processo de vacinação, pois fica mais vulneráveis não só à infecção, mas também mais propensos a desenvolver formas mais graves.
O calendário de vacinação do SUS (Sistema Único de Saúde) contempla anualmente, para os idosos, uma dose única da vacina de Influenza (gripe). A partir dos 60 anos, recomenda-se que o idoso receba a vacina Pneumocócica, que serve para a proteção contra meningites, pneumonias, sinusite, dentre outras enfermidades causadas por este agente. Além disso, todos os idosos devem ter sido vacinados contra hepatite B, difteria e tétano (dT), febre amarela, sarampo, caxumba e rubéola. A dT deve ser sempre reforçada a cada 10 anos, portanto, não deixe de conferir se suas vacinas estão em dia!
Fonte – Portal do Envelhecimento
Foto – Divulgação




