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Dia da Árvore revela um contraste – cidades verdes de um lado, Manaus entre a floresta e o concreto

Mais do que plantar, preservar e conectar áreas verdes é essencial para enfrentar o calor e melhorar a vida nas cidades.
Manaus conserva grande cobertura florestal, mas ainda enfrenta desafios para levar mais árvores às ruas.
Campo Grande lidera o país em arborização urbana, segundo o Censo 2022 do IBGE.

Celebrado no Brasil em 21 de setembro, o Dia da Árvore convida a olhar para muito além do ato simbólico de plantar uma muda. A data chama atenção para o papel das árvores na redução da temperatura, na proteção do solo, na umidade do ar, na biodiversidade e na qualidade de vida nas cidades. Os números mais recentes do Censo Demográfico 2022 mostram diferenças expressivas na arborização urbana brasileira: Campo Grande (MS) aparece na liderança entre as capitais, com 91,4% dos moradores vivendo em vias onde há pelo menos uma árvore, seguida por Goiânia (GO), com 89,6%, e Palmas (TO), com 88,7%. Manaus apresenta uma situação particular. Embora esteja inserida no coração da Amazônia e o município mantenha uma extensa cobertura florestal, a realidade dos espaços urbanos é diferente. Estudos recentes apontam fragilidades na arborização de praças e a necessidade de ampliar a cobertura vegetal e conectar áreas verdes.


Quando se fala em árvore, a primeira imagem que pode surgir para muita gente é a de uma floresta. Mas, nas cidades, uma árvore também pode significar sombra na calçada, temperatura mais amena, proteção contra a chuva, abrigo para aves e insetos e um espaço urbano mais agradável.

É justamente essa relação entre natureza e vida cotidiana que o Dia da Árvore procura reforçar. No Brasil, a data é celebrada em 21 de setembro e tem como objetivo estimular a conscientização sobre a importância da preservação das árvores e dos recursos naturais. A proximidade com a chegada da primavera no Hemisfério Sul ajudou a consolidar a escolha da data.

As árvores desempenham funções que vão muito além da paisagem. Pela evapotranspiração, ajudam a aumentar a umidade do ar; suas raízes contribuem para a proteção do solo contra erosões; as copas fornecem sombra e abrigo para diferentes espécies; e a vegetação urbana ajuda a reduzir a temperatura e a amenizar os efeitos das chamadas ilhas de calor.

Os dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a presença de árvores nas ruas brasileiras é bastante desigual. No Censo Demográfico 2022, Campo Grande apareceu com o maior percentual entre as capitais: 91,4% dos moradores viviam em domicílios localizados em vias com pelo menos uma árvore. Goiânia registrou 89,6%, seguida por Palmas, com 88,7%.

É importante observar que esse indicador mede arborização nas vias públicas, e não toda a área verde existente dentro do território municipal. Parques, reservas, florestas e áreas particulares possuem outra dimensão e não devem ser confundidos com árvores presentes nas ruas.

Essa diferença ajuda a compreender o caso de Manaus.

A capital amazonense está inserida em um município de enorme extensão territorial e cercado pela floresta. Dados recentes mostram que quase 80% do território municipal é composto por formação florestal, enquanto pouco mais de 2% corresponde à área urbanizada.

À primeira vista, esses números poderiam sugerir que Manaus possui naturalmente uma grande quantidade de verde à disposição da população. A realidade urbana, entretanto, é mais complexa.

A expansão da cidade, a ocupação do solo e a concentração de construções fizeram com que diferentes áreas verdes permanecessem fragmentadas. Um estudo recente sobre as praças de Manaus identificou baixa cobertura vegetal das copas em 90% das áreas analisadas, além de pouca continuidade entre os espaços arborizados. Outro levantamento apontou que apenas sete praças avaliadas apresentaram cobertura vegetal conectada, considerada a condição ideal no estudo.

Isso cria um paradoxo tipicamente amazônico: Manaus está dentro da maior floresta tropical do planeta, mas isso não significa que todos os seus moradores tenham acesso cotidiano à sombra e aos benefícios das árvores.

A própria cidade reconhece esse desafio em seus instrumentos de planejamento. O Plano de Ação Climática de Manaus estabelece metas relacionadas ao aumento das avenidas arborizadas e da cobertura vegetal urbana, à criação de novos parques em áreas com menor cobertura e à implantação de corredores ecológicos que conectem áreas verdes.

A Prefeitura também mantém ações de arborização. De acordo com diagnóstico socioambiental municipal, o programa Manaus Verde resultou no plantio de 23.026 mudas entre janeiro de 2021 e dezembro de 2024. O Centro de Produção de Mudas alcançou 647 mil mudas produzidas ou recebidas por compensações ambientais, das quais mais de 261 mil foram doadas à população.

Outro ponto merece atenção. Embora o calendário nacional popularmente associe o Dia da Árvore a 21 de setembro, a legislação federal estabeleceu uma particularidade para alguns estados brasileiros. O Decreto nº 55.795, de 24 de fevereiro de 1965, instituiu a Festa Anual das Árvores e determinou que, em razão das diferenças fisiográficas e climáticas, estados como o Amazonas realizem a celebração na última semana de março.

Isso não diminui a importância do 21 de setembro para a conscientização ambiental. Ao contrário: a data pode servir como oportunidade para olhar para a realidade de cada cidade.

Em Manaus, esse olhar precisa considerar duas paisagens ao mesmo tempo. De um lado, a floresta que permanece dentro dos limites do município. De outro, uma cidade que precisa ampliar a presença das árvores onde as pessoas vivem, trabalham, estudam e circulam.

A arborização urbana não substitui a floresta e a floresta não substitui a arborização urbana. São dimensões diferentes da mesma relação com a natureza.

No Dia da Árvore, portanto, a pergunta não é apenas quantas árvores uma cidade possui. É também onde elas estão, como estão distribuídas, se estão conectadas e se conseguem cumprir sua função ambiental e social.

Preservar a floresta amazônica continua sendo indispensável. Mas, para quem vive em uma cidade como Manaus, plantar, cuidar e manter árvores nas ruas, praças e parques também significa criar condições para enfrentar o calor, melhorar o ambiente urbano e tornar a cidade mais saudável e habitável.

 

 

 

 

Palavra-chave principal – Dia da Árvore arborização urbana

 

 

Fontes – Fontes: Brasil Escola; Wikipedia; IBGE; Prefeitura de Goiânia; Prefeitura de Campo Grande; Prefeitura de Manaus; UFAM; Plano de Ação Climática de Manaus.

Texto com apoio da Inteligência Artificial/Edição da Coopnews

Foto – Divugação/Ascom

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