Variedades

As cores da população idosa no Brasil

A população brasileira tem se percebido de maneira mais miscigenada e menos predominantemente branca, embora haja diferenças entre os diversos grupos etários. A proporção de pessoas que se autoidentificam com a cor branca tem diminuído nos anos 2000 em todas as idades. Para o conjunto da população, o número de indivíduos que se autodeclaram pardos ultrapassou aqueles que se autodeclaram brancos. Mas entre os idosos, a autodeclaração de brancos ainda abarca a maioria dos habitantes com 60 anos e mais de idade, como mostrou o censo 2022.

O IBGE investiga o quesito cor ou raça da população brasileira a partir do critério de autoidentificação. São apresentadas 5 categorias de escolha: Branca – para a pessoa que se declara branca; Preta – para a pessoa que se declara preta; Amarela – para a pessoa de origem do leste asiático (japonesa, chinesa, coreana, etc.); Parda – para a pessoa que se identifica com a mistura ou miscigenação de duas ou mais opções de cor ou raça; Indígena – para a pessoa que se declara indígena, morando ou não em terras indígenas.

Dentro de cada domicílio visitado pelo IBGE, o informante responde não só a sua percepção sobre a sua cor ou raça, como também responde para os outros membros da moradia. A escolha é subjetiva, pois não existe um critério biológico ou uma palheta de cores pré-definidas. Segundo o manual do censo demográfico, existem vários critérios que podem ser usados pelo informante para a classificação (origem familiar, cor da pele, traços físicos, etnia, pertencimento comunitário, entre outros). Desta forma, as cinco categorias estabelecidas na investigação (branca, preta, amarela, parda e indígena) podem ser entendidas pelo informante de forma variável no tempo e no espaço e de acordo com as opções individuais.

O gráfico abaixo mostra que, para o total da população brasileira, a percentagem de pessoas que se autodeclaravam brancas era de 53,7% no ano 2000, caiu para 47,7% em 2010 e diminuiu ainda mais em 2022, para 43,5%. A percentagem de pardos subiu de 38,5% em 2000, para 43,1% em 2010 e 45,3% em 2022. Portanto, a autodeclaração de pardos superou a autodeclaração de brancos no último censo. O Brasil tem se enxergado mais miscigenado e tem valorizado a mistura de cores.

Os dados acima evidenciam que, até o ano 2000, a maior parte da população brasileira se autodeclarava branca. Mas este quadro mudou no século XXI, principalmente depois da Conferência Mundial das Nações Unidas contra o Racismo, a Discriminação Racial, a Xenofobia e a Intolerância. A Conferência de Durban, de 2001, impulsionou a criação de políticas públicas para o enfrentamento ao racismo. Houve uma grande mobilização da sociedade brasileira e das políticas públicas no país no sentido de valorizar os direitos da população preta, parda e indígena. Houve uma mobilização pelo orgulho negro (população negra = preta + parda), pelos direitos dos povos originários e uma valorização do processo de miscigenação.

Desta forma, muitas pessoas que se autodeclaravam brancas passaram a se declarar pardas e muitas pessoas que se declaravam pardas passaram a se declarar pretas. Houve um processo de “desbranqueamento” do Brasil. Os habitantes do país passaram a enxergar a cor/raça de um espectro diferente, valorizando mais a miscigenação e a variedade dos tons não brancos.

Assim, o percentual de pessoas que se autodeclaram pretas passou de 6,2% no ano 2000, para 7,6% em 2010 e para 10,2% em 2022. Enquanto, a população total cresceu 6,5% entre 2010 e 2022, a população que se autodeclara preta cresceu 42,3% no mesmo período. A população que se autodeclara amarela (de origem oriental) ficou em torno de 0,4% entre 2000 e 2022. A população indígena que estava em torno de 0,4% na primeira década do século XXI, passou para 0,6% em 2022, sendo o grupo que apresentou o maior crescimento absoluto entre 2010 e 2022 (mais de 50% de aumento absoluto).

O gráfico abaixo mostra os mesmos dados do gráfico anterior, mas para a população de 60 anos e mais de idade. A percentagem de idosos que se autodeclaravam brancos era de 60,7% no ano 2000, caiu para 55,9% em 2010 e chegou a 51,7% em 2022. Portanto, a autodeclaração de brancos continua majoritária no topo da pirâmide etária.

 

 

Fonte – Portal do Envelhecimento

Foto – Divulgação

 

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