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Casais amazonenses ampliam a escolha por manter o nome de solteiro desde 2020

Dados dos Cartórios de Registro Civil mostram que, em 2024, 55,95% dos casamentos mantiveram o nome de solteiro, o maior índice da série histórica.
O levantamento revela uma tendência que reflete autonomia, identidade e novos arranjos familiares no estado.
A preferência cresce ano após ano e marca uma mudança no comportamento dos recém-casados no Amazonas.

O comportamento dos casais no Amazonas mudou de forma marcante nos últimos anos. Dados dos Cartórios de Registro Civil mostram que, em 2024, mais da metade dos casamentos no estado ocorreu sem qualquer alteração de sobrenome, alcançando 55,95%. O número confirma uma tendência que ganhou força a partir de 2020, quando o índice era de 37,32%.

O movimento representa uma transformação no perfil dos casamentos amazonenses. Em 2003, início da série histórica, manter o nome de solteiro era escolha de apenas 12,14% dos casais. Desde então, o crescimento foi constante e acelerou de maneira expressiva nos últimos anos, indicando mudanças culturais e novas formas de identidade dentro das relações.

Em números absolutos, o estado contabilizou 13.953 casamentos em 2024, sendo que 7.801 deles foram realizados sem qualquer alteração de sobrenome. Em 2020, para comparação, o total de casamentos foi de 13.242, dos quais 4.940 tiveram essa mesma opção.

Os dados foram compilados pela Associação dos Notários e Registradores do Estado do Amazonas (Anoreg/AM), a partir das informações enviadas pelos Cartórios de Registro Civil à Central Nacional de Informações do Registro Civil (CRC Nacional).

“O que vemos no Amazonas é um reflexo claro de como as relações estão se reorganizando. Os casais têm encontrado no nome de família uma forma de preservar sua história pessoal, sem que isso diminua o compromisso assumido no casamento. Essa liberdade de escolha, que antes era menos comum, hoje faz parte da rotina dos cartórios e mostra que as pessoas estão mais seguras para definir o que faz sentido para suas vidas”, afirma o presidente da Anoreg/AM, David Gomes David.

Essa tendência também acompanha as possibilidades abertas pelo Código Civil de 2002, que permitiu a adoção ou não de sobrenomes no casamento por qualquer um dos cônjuges. Mesmo assim, outras modalidades seguem pouco expressivas no Amazonas. Em 2024, apenas 1,60% dos casamentos registraram a inclusão de sobrenome por ambos, enquanto o homem adotou o sobrenome da mulher em 0,78% dos casos. Já a adoção do sobrenome do marido pela mulher representou 41% das celebrações.

Mudanças recentes na legislação também influenciam esse movimento. A Lei Federal nº 14.382/22 ampliou as possibilidades de alteração de sobrenomes, permitindo inclusões e exclusões a qualquer tempo, mediante comprovação do vínculo. A norma reforça um cenário em que a flexibilidade e a liberdade de escolha ganham espaço nas relações civis.

A tendência observada no Amazonas segue em linha com o comportamento nacional, que também apresenta aumento na manutenção dos nomes de solteiro. No estado, porém, o crescimento recente é mais acentuado e já coloca essa opção como a mais comum entre os casais.

 

 

Fonte – Anoreg

Foto – Freepik

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