O cooperativismo de infraestrutura desempenha um papel importante na ampliação do acesso a serviços essenciais, especialmente em áreas rurais e localidades onde a oferta de energia, moradia, saneamento e conectividade é mais limitada. Segundo dados do Anuário do Cooperativismo Brasileiro 2026, o ramo reúne 247 cooperativas e aproximadamente 1,5 milhão de cooperados. Em 2025, essas organizações movimentaram R$ 6,8 bilhões na economia brasileira.
Com mais de 80 anos de atuação no país, o setor reúne cinco segmentos: energia elétrica, construção civil e habitação, água e saneamento, irrigação e telecomunicações. Este último foi incorporado ao ramo a partir da Lei nº 15.324/2026.
Além de fornecer serviços, as cooperativas contribuem para o desenvolvimento econômico das comunidades, a geração de renda e a redução das desigualdades regionais. O modelo permite que os próprios cooperados participem das decisões e dos investimentos, de acordo com as necessidades coletivas.
Para Thayná Côrtes, analista de Infraestrutura do Sistema OCB, esses serviços são fundamentais tanto para a qualidade de vida da população quanto para o funcionamento das atividades econômicas. A representante destaca que o desafio é garantir qualidade e segurança sem abrir mão da gestão democrática, da transparência e do compromisso com os cooperados.
Energia e conectividade fortalecem o campo
A trajetória do ramo começou com a eletrificação rural. Em 1941, foi criada em Erechim, no Rio Grande do Sul, a primeira cooperativa de eletrificação rural do Brasil, iniciativa que levou energia elétrica a centenas de famílias do campo.
Atualmente, a estrutura de distribuição das cooperativas de energia atende 803.978 ligações de cooperados e consumidores, o equivalente a uma população superior a 3,2 milhões de brasileiros.
O país conta com 67 cooperativas de distribuição de energia elétrica: 52 permissionárias, 14 autorizadas e uma concessionária. Ao final de 2025, essas organizações possuíam 49 subestações próprias e mais de 112 mil quilômetros de redes de distribuição.
Uma das experiências do setor é a Cooperativa de Eletrificação Rural (Coprel), que atua em 72 municípios gaúchos. A organização possui cerca de 60 mil cooperados, dos quais aproximadamente 74% vivem na zona rural. Além de distribuir, gerar e comercializar eletricidade, a cooperativa oferece internet de alta velocidade e soluções de telecomunicações.
Segundo o presidente da Coprel, Jânio Stefanello, energia de qualidade e conectividade são essenciais para modernizar as propriedades rurais, automatizar processos e ampliar a competitividade do agronegócio.
Um dos projetos da cooperativa é a expansão das redes trifásicas por meio do programa Energia Forte no Campo, do governo do Rio Grande do Sul. A iniciativa prevê a instalação de linhas, postes e transformadores, com recursos públicos, contribuições dos cooperados e um fundo criado pela própria organização.
Até o momento apresentado pelo Sistema OCB, foram construídos 620 quilômetros de linhas, beneficiando mais de 7 mil famílias em 49 municípios. A infraestrutura permite que produtores invistam em equipamentos modernos, aumentem a produtividade e agreguem valor à produção.
Cooperativas habitacionais ajudam a conquistar a casa própria
O segmento habitacional representa cerca de um terço do Ramo Infraestrutura. Por meio da união de recursos e esforços, as cooperativas buscam viabilizar moradias com custos acessíveis e participação dos associados nas decisões sobre os empreendimentos.
No interior de São Paulo, a Cooperativa Nacional de Habitação e Construção (Cooperteto), fundada em Americana, já viabilizou moradias para mais de 4 mil famílias desde 1996. A organização também desenvolve empreendimentos em Limeira, Santa Bárbara d’Oeste, Nova Odessa e Louveira.
Um dos fundadores da Cooperteto, o arquiteto e urbanista Marco Antonio Alves Jorge, conhecido como Kim, explica que o trabalho vai além da construção das unidades habitacionais. A proposta inclui acompanhamento social das famílias antes, durante e depois das obras, além de participação na escolha dos terrenos e na elaboração e aprovação dos projetos.
A cooperativa também considera aspectos ambientais e urbanos, como o cuidado com os espaços públicos, a integração dos conjuntos habitacionais aos bairros e o aproveitamento de recursos. Entre as medidas adotadas em projetos da Cooperteto estão a compostagem de resíduos orgânicos e o uso da água da chuva para limpeza e irrigação.
Outra experiência é a Cooper House, criada em Goiás em 1998. A organização já entregou mais de 50 empreendimentos por meio de um modelo de autofinanciamento baseado na ajuda mútua. Atualmente, reúne 1,8 mil cooperados em Goiânia e na região metropolitana.
Segundo o presidente da Cooper House, Leandro Borges, o modelo elimina a figura do incorporador tradicional e permite que os associados participem das decisões estratégicas em assembleias, nas quais cada cooperado tem direito a um voto.
Borges afirma que, sem a margem de lucro comercial e os juros dos financiamentos imobiliários convencionais, os imóveis adquiridos por meio de cooperativas habitacionais podem custar de 30% a 45% menos que o valor de mercado. Ele também destaca a transparência na administração dos recursos e a participação dos cooperados em todas as etapas do empreendimento.
As experiências apresentadas pelo Sistema OCB mostram como o cooperativismo de infraestrutura pode combinar serviços essenciais, participação coletiva e desenvolvimento regional. Ao organizar investimentos de acordo com as necessidades das comunidades, o setor contribui para ampliar oportunidades e melhorar as condições de vida em diferentes partes do Brasil.
Fonte – Sistema OCB e ANTT
Texto com apoio da Inteligência Artificial/Edição da Coopnews
Foto – Divulgação/OCB
cooperativismo; transporte cooperativo
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