Ciência e Tecnologia

Castanheiras, carbono e Sistema AgroFlorestais impulsionam pesquisas na Amazônia

Com foco em inovação, o trabalho amplia o conhecimento sobre Sistema AgroFlorestais e contribui para soluções que beneficiam produtores, comunidades e a floresta amazônica.
As pesquisas investigam o potencial das castanheiras na captura de carbono e seu papel estratégico para a preservação ambiental e o desenvolvimento sustentável.
Estudos do Nupro fortalecem o desenvolvimento de Sistema AgroFlorestais, aliando produção sustentável, conservação da floresta e geração de conhecimento científico.

O Núcleo de Pesquisa (Nupro) avança em estudos que unem ciência, sustentabilidade e desenvolvimento da Amazônia ao investigar a relação entre castanheiras, carbono e Sistema AgroFlorestais. As pesquisas buscam compreender como esses sistemas contribuem para o sequestro de carbono, a conservação da biodiversidade e o fortalecimento da produção sustentável. Além de ampliar o conhecimento científico, os resultados podem apoiar estratégias voltadas à preservação da floresta e à promoção de práticas agrícolas mais equilibradas e resilientes para a região.


O Núcleo de Pesquisa de Rondônia (Nupro) do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) foi a campo com o projeto “Potencial de Sequestro de Carbono de Castanheiras em Sistemas Agroflorestais no Norte de Rondônia”, desenvolvido pela equipe do núcleo em áreas rurais de Itapuã d’Oeste e Nova Califórnia, distrito localizado no extremo oeste do município de Porto Velho-RO.

Durante as atividades, a equipe realizou levantamentos em propriedades rurais com sistemas agroflorestais, medindo o diâmetro (à altura do peito), a altura total e as coordenadas geográficas de indivíduos de castanheira-do-brasil (Bertholletia excelsa Bonpl.), uma das espécies mais emblemáticas da Amazônia. Esses dados são fundamentais para estimar a biomassa aérea acumulada e quantificar o potencial de sequestro de carbono dessas árvores, contribuindo para compreender o papel dos sistemas agroflorestais na mitigação das mudanças climáticas.

Além das medições das árvores, o projeto também incluiu a coleta de amostras de solo em diferentes profundidades para avaliação do carbono armazenado, análises químicas, granulométricas e físicas, incluindo densidade do solo, macro e microporosidade. Os proprietários rurais participantes também foram entrevistados para o levantamento do histórico de uso e manejo das áreas, reconhecendo que os dados ecológicos ganham mais força quando interpretados em diálogo com a história de uso da terra e com o conhecimento local.

De acordo com a bolsista PCI, Susan Aragón, o projeto visibiliza o aporte dos SAFs como mecanismo de mitigação contra as mudanças climáticas: “ ao estudar o sequestro de carbono e taxas de acumulação de carbono nos castanhais implantados em diversos projeto desde a década de 1980, pudemos constatar o verdadeiro potencial destas áreas, mas também, ao conversar com os proprietários, enxergamos os muitos desafios e limitantes que tiveram que enfrentar para levar adiante esses projetos que requerem investimentos altos na implantação e muitos anos de espera até colher os frutos.”, explica.

Esse trabalho expressa a atuação do Nupro: produção de ciência aplicada, em campo, em parceria com agricultores, pesquisadores e instituições locais, conectando biodiversidade, produção agroflorestal, conservação do solo, mudanças climáticas e desenvolvimento sustentável.

Equipe multidisciplinar a serviço da Amazônia rondoniense

A complementaridade e a multidisciplinaridade fazem a diferença no Nupro. O núcleo reúne uma equipe de profissionais com diferentes formações e trajetórias, com o objetivo de fortalecer a presença do Inpa em Rondônia e produzir conhecimento científico relevante para a Amazônia.

Raimundo Cajueiro Leandro, doutor em Botânica, possui trajetória ligada ao Inpa e à pesquisa aplicada ao desenvolvimento regional sustentável, com atuação em sistemas agroflorestais, agricultura familiar, espécies regionais, plantas oleaginosas, fitotecnia e aproveitamento de resíduos orgânicos na agricultura.

Susan Aragón Carrasco, doutora em Geografia Ambiental, contribui com uma abordagem integrada das paisagens amazônicas, reunindo experiência em ecologia da paisagem, sensoriamento remoto, sistemas de informação geográfica, ecologia histórica, etnobotânica, agrobiodiversidade e conservação de paisagens rurais.

Izabela de Lima Feitosa, mestre em Ciências Ambientais, atua em temas relacionados à conservação, recuperação de áreas degradadas, manejo agroecológico e sistemas agroflorestais, aproximando a pesquisa científica das práticas produtivas sustentáveis no campo.

Fabio Araújo da Silva, doutor em Botânica Tropical, coloca em prática sua experiência em sistemática vegetal, taxonomia de fanerógamas, coleções botânicas e estudos sobre a flora amazônica, contribuindo diretamente para o conhecimento e valorização da Flora de Rondônia.

Além da equipe técnico-científica, o funcionamento do Nupro depende também do apoio administrativo, logístico e operacional que sustenta as atividades de campo, laboratório, articulação institucional e rotina do núcleo.

Todas essas esferas são importantes para que a ciência aconteça de forma contínua, organizada e conectada às demandas locais.

 

 

 

Fonte – Agência Câmara

Texto com apoio da Inteligência Artificial/Edição da Coopnews

Foto – Banner: Carol Sackser – Ascom/Inpa

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