Ciência e Tecnologia

Cerca de 20% dos brasileiros dormem menos de seis horas por noite

A parcela de brasileiros que dormem menos de seis horas por noite já chega a 20%, segundo dados do Vigitel, e acende um alerta sobre o sono dos brasileiros.
Dormir pouco compromete a rotina, reduz a produtividade e aumenta riscos à saúde, mostrando que o problema vai além do cansaço do dia seguinte.
A pesquisadora Andrea Toscanini analisa o cenário e destaca que a noite mal dormida tem impacto direto na saúde física e mental.

O Ministério da Saúde divulgou dados do Vigitel 2006-2024 que acendem um alerta sobre o sono dos brasileiros. A pesquisa mostra que 20% da parcela de brasileiros dormem menos de seis horas por noite. Além disso, 31,7% relatam sintomas de insônia, reforçando o impacto da noite mal dormida na saúde.

O Vigitel, levantamento anual que monitora fatores de risco para doenças crônicas como diabetes e hipertensão, analisou pela primeira vez o panorama do sono dos brasileiros. O resultado revela que dormir pouco deixou de ser apenas um hábito e passou a ser um problema de saúde pública.

Para Andrea Toscanini, médica do Laboratório do Sono do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, os distúrbios do sono precisam de atenção imediata. Segundo ela, a inclusão da síndrome do sono insuficiente como doença crônica no Brasil foi um passo importante.

A especialista lembra que, no cenário internacional, a privação de sono já é tratada há anos como uma doença crônica, inclusive pela Organização Mundial da Saúde. Em países como os Estados Unidos, cerca de 18% da população também dorme menos de seis horas por noite, mostrando que o problema não é isolado.

Ainda assim, o dado de que uma parcela significativa de brasileiros dormem menos de seis horas por noite preocupa. A noite mal dormida afeta a produtividade, o equilíbrio emocional e aumenta riscos à saúde, refletindo um estilo de vida cada vez mais acelerado e desorganizado.

Possíveis complicações do sono insuficiente

Andrea ressalta que a privação de sono traz diversos problemas para o indivíduo, afetando drasticamente sua rotina. “Esses pacientes que apresentam os sintomas de insônia estão mais suscetíveis a uma série de comorbidades, sendo as principais complicações a depressão, hipertensão, diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e obesidade. Há também efeitos cognitivos que aumentam o risco do paciente desenvolver problemas de memória, atenção, foco ou algum tipo de demência. As consequências do sono encurtado são de ordem muito séria, ela traz muitos problemas de produtividade, como nos Estados Unidos, por exemplo, onde a privação de sono custa U$ 411 bilhões de forma indireta para a sociedade.”

“Os jovens também estão dormindo mal e, por serem jovens, acabam tendo mais consequências cognitivas, eles performam mal na escola por dormirem mal. No caso das crianças, há uma outra série de coisas que vão sendo construídas em cima, se a criança tem déficit de atenção ou transtorno opositor desafiador, por exemplo, pode haver relação com o sono. Caso ela faça testes neuropsicológicos na condição de privação de sono, ela não vai fazer um bom exame, ela não vai fazer um bom teste. É fundamental se organizar de forma eficiente e programar o nosso dia de forma que você tenha menos tarefas e possa dormir melhor. Dormimos frustrados todos os dias, porque nunca é possível resolver todos os problemas estando privado de sono. É necessário colocar menos atividades para a gente, mantendo um tempo total de sono adequado”, reforça Andrea.

A privação de sono por gênero

De acordo com a médica, os sintomas da insônia aparecem com mais frequência entre as mulheres e estão relacionados a questões hormonais. “A mulher, na menopausa, do ponto de vista hormonal, muda completamente e passa a ter todos aqueles sintomas vasomotores, passa a ter uma suscetibilidade maior aos transtornos de humor e à insônia, que está muito ligada à equitabilidade psicológica. A gente sabe, por exemplo, que a insônia de início de noite pode acontecer em pessoas que têm aquela roda de pensamentos pré-sono, pensamentos intrusivos ou preocupações. Nós vimos nesse estudo que o perfil de pacientes que têm mais insônia é daqueles que têm uma renda menor, então a mulher, que muitas vezes tem uma dupla jornada, que inclui a responsabilidade da casa e dos filhos e tem uma renda um pouco menor, acaba sendo sobrecarregada.”

“A mulher, tanto por questões sociais como biológicas, é mais suscetível à insônia e à privação de sono e, nessa mesma época da vida, também passa a ter um risco maior para desenvolver apneia do sono, que também é uma grande inimiga do envelhecimento saudável, visto que ela está altamente relacionada com o desenvolvimento da hipertensão e do metabolismo glicêmico. Durante toda a vida, a chance de uma mulher desenvolver apneia, comparada com o homem, é de um para três. Na menopausa, fica igual, de um para um”, finaliza a professora.

 

 

Fonte – USP

Edição – Coopnews

Foto – Elf-Moondance/Pixabay

temas relacionados

clima e tempo

publicidade

baixe nosso app

outros apps