Turismo

Como a realidade aumentada pode redefinir a forma de viajar

A realidade virtual já se tornou uma alternativa emocional, educativa e tecnológica que desperta o interesse por novos lugares e amplia possibilidades de descoberta.
A fusão entre realidade virtual e realidade aumentada está mudando a maneira de conhecer destinos e até o significado de viajar, afirma Vitória Avelino.
As novas tecnologias oferecem novas formas de explorar o mundo, facilitam o planejamento e aproximam viajantes de experiências antes inimagináveis.

O avanço das tecnologias vem mudando nossa relação com o consumo. No turismo, o período de quarentena e a impossibilidade de circular fisicamente aceleraram soluções que permitiram visitar destinos de forma totalmente virtual. Para Vitória Avelino, doutoranda em Turismo pela Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP, a combinação entre realidade virtual e realidade aumentada não só reinventou a forma de apresentar lugares e planejar viagens, como também redesenhou o próprio sentido de viajar.

Você já se imaginou caminhando pelas ruas de Roma e observando o Coliseu reconstruído em 3D sem sair da sala de casa? Ou explorando Machu Picchu em alta resolução, com sons, vozes e texturas digitais tão imersivas que, por instantes, parecem substituir o vento, os aromas e até a sensação da altitude? A pergunta é simples, mas abre uma discussão poderosa: o futuro do turismo será virtual?

Pistas do futuro

Pesquisadores tailandeses publicaram em 2024 um estudo que mostra que a imersão em experiências virtuais aumenta significativamente a intenção de visita a destinos reais. Quando o usuário sente prazer, presença e envolvimento emocional, a viagem virtual desperta a vontade da viagem física. Para Vitória, “a realidade virtual serve como convite e a realidade aumentada como expansão da experiência. A primeira faz sonhar antes, a segunda faz ver mais durante. E ambas revelam uma verdade simples: quanto mais perfeita a simulação, mais irresistível se torna o real”.

Destinos como Dubai, Japão e Coreia do Sul vêm usando experiências imersivas com seus visitantes antes mesmo de sua chegada. Um exemplo é o projeto Try Before You Fly, da agência Thomas Cook. No projeto, a empresa usou realidade virtual para permitir que clientes “experimentassem” destinos e cabines de avião antes de comprar viagens, exibindo vídeos 360° em lojas físicas. A ação aumentou o engajamento e as vendas de pacotes turísticos da agência.

Espaços culturais como museus, sítios arqueológicos e centros históricos também utilizam de camadas digitais para reconstruir o passado diante do visitante. Em projetos de interpretação patrimonial, como os realizados em sítios italianos inspirados em Pompeia, a realidade aumentada permite visualizar as estruturas antigas recompostas digitalmente, revelando cores, formas e ambientes perdidos no tempo.

Viagens em risco?

Durante a pandemia de covid, quando os destinos físicos estavam fechados, os meios digitais foram a única forma de visita possível. Todavia, nada indica que o digital seja um substituto da presença real. A realidade virtual se tornou uma alternativa possível, uma válvula emocional, educativa e tecnológica, e um convite à descoberta de novos destinos.

Ainda pelo lado ético e ambiental, substituir certas viagens físicas por experiências virtuais pode ajudar a proteger destinos frágeis. Uma pesquisa publicada na Nature, mostrou que, em ambientes virtuais bem construídos, a presença ecológica, a sensação de estar imerso num ecossistema digital fortalece valores ambientais e normas pessoais que levam a comportamentos responsáveis. Experiências virtuais podem não apenas evitar impactos físicos, mas ativar a consciência ecológica dos turistas. “O turismo virtual pode, paradoxalmente, ajudar a preservar o mundo que o inspira”, completa Vitória.

A realidade virtual e aumentada ainda não superou a presença humana. As novas tecnologias vêm para motivar e aumentar o desejo pela viagem. O futuro do turismo é ampliado: é o encontro entre presença física e imersão digital, entre a tecnologia e a emoção, entre o ver e o sentir.

 

 

Fonte – USP

Foto – Freepik

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