O sistema de consórcios movimentou R$ 389,59 bilhões no Brasil entre janeiro e agosto de 2026, um crescimento de 24,2% em comparação com os R$ 313,72 bilhões registrados no mesmo período do ano anterior. Os dados são da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC), que também identificou recorde de 3,82 milhões de cotas comercializadas e 13,55 milhões de participantes ativos. Apesar dos resultados positivos, a entidade avalia que a desaceleração econômica e as condições de renda e emprego poderão influenciar o desempenho do setor em 2027.
Consórcios registram crescimento e alcançam novos recordes
O sistema de consórcios manteve a trajetória de expansão nos oito primeiros meses de 2026, segundo levantamento da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC). O volume de negócios chegou a R$ 389,59 bilhões, alta de 24,2% em relação ao mesmo intervalo de 2025.
No período, foram comercializadas 3,82 milhões de cotas, resultado 15,1% superior às 3,32 milhões registradas no ano passado. O número de participantes ativos também avançou, alcançando 13,55 milhões em agosto, crescimento de aproximadamente 12% na comparação anual.
As contemplações, etapa em que os consorciados recebem o direito de utilizar o crédito conforme as regras do grupo, ultrapassaram 1,18 milhão entre janeiro e agosto. O volume de créditos disponibilizados chegou a R$ 85,72 bilhões, aumento de 6,5% em relação aos R$ 80,51 bilhões do mesmo período de 2025.
O tíquete médio das cotas comercializadas em agosto foi de R$ 113,57 mil, valor 13,8% superior aos R$ 99,79 mil registrados no mesmo mês do ano anterior.
Consórcios de imóveis lideram crescimento das vendas
Entre os seis segmentos analisados pela ABAC, cinco apresentaram crescimento nas vendas de cotas no acumulado de janeiro a agosto.
O consórcio de imóveis registrou a maior expansão, com alta de 39,4%. Na sequência, aparecem eletroeletrônicos e outros bens móveis duráveis, com 8,4%; veículos leves, com 8,2%; motocicletas, com 7,7%; e serviços, com 4,4%.
O único segmento com retração foi o de veículos pesados, que apresentou queda de 6,5%.
Em números absolutos, os veículos leves lideraram as adesões, com 1,36 milhão de cotas comercializadas. Os consórcios imobiliários somaram 1,14 milhão, enquanto o segmento de motocicletas alcançou 1,03 milhão.
Os resultados mostram a presença da modalidade em diferentes áreas do consumo, desde a aquisição de automóveis e motocicletas até a compra de imóveis e a contratação de serviços.
Contemplações ampliam o potencial de movimentação da economia
As contemplações permitem que os participantes que atendem às condições contratuais utilizem os créditos para adquirir bens ou contratar serviços. Esse mecanismo contribui para movimentar diferentes setores da economia.
De janeiro a agosto, as contemplações acumuladas foram distribuídas entre veículos leves, com 502,91 mil; motocicletas, com 446,55 mil; imóveis, com 110,07 mil; veículos pesados, com 62,11 mil; serviços, com 28,20 mil; e eletroeletrônicos e outros bens móveis duráveis, com 26,45 mil.
A ABAC estima que os créditos contemplados podem contribuir para a aquisição de veículos, imóveis e outros bens, além de apoiar a renovação de frotas e a ampliação do patrimônio de famílias e empresas.
No segmento automotivo, por exemplo, as contemplações de janeiro a agosto representaram potencial de aquisição de uma motocicleta a cada três unidades comercializadas no mercado interno. Entre os veículos leves, a participação potencial foi de um a cada quatro veículos vendidos no país.
A entidade ressalta, entretanto, que nem todo crédito disponibilizado é convertido imediatamente em uma compra, pois parte dos contemplados pode optar por utilizar o recurso posteriormente.
Educação financeira e planejamento influenciam as adesões
Para a ABAC, o crescimento do sistema está relacionado, entre outros fatores, à busca dos consumidores por alternativas de planejamento financeiro para a aquisição de bens e serviços.
O presidente executivo da entidade, Paulo Roberto Rossi, avalia que os resultados refletem a preocupação de parte dos brasileiros em assumir compromissos compatíveis com a renda e manter o equilíbrio do orçamento pessoal ou familiar.
O economista Luiz Antonio Barbagallo, da ABAC, também destaca a capacidade histórica do setor de enfrentar períodos de instabilidade. Segundo ele, a evolução das vendas demonstra que o desempenho dos consórcios não depende exclusivamente do nível da taxa básica de juros.
A renda disponível e o nível de emprego também exercem influência importante sobre a procura pela modalidade, uma vez que determinam a capacidade das famílias de assumir pagamentos mensais.
A participação em um consórcio exige planejamento e avaliação das condições contratuais. Diferentemente de um financiamento com liberação imediata do crédito, a contemplação depende das regras do grupo, por sorteio ou lance, e não há garantia de que ocorrerá logo após a adesão.
ABAC avalia perspectivas para 2027
Apesar do desempenho positivo em 2026, a associação avalia que o ritmo de expansão poderá ser mais moderado no próximo ano.
Entre os fatores que podem influenciar o resultado estão o cenário fiscal brasileiro, as decisões econômicas do próximo governo, o comportamento da taxa Selic, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), a renda das famílias e o nível de emprego.
Segundo a análise de Barbagallo, as projeções econômicas disponíveis apontam para um crescimento mais limitado da atividade econômica em 2027, o que poderá afetar a capacidade de consumo e a procura por consórcios.
O economista ressalta que uma avaliação mais precisa dependerá da definição do cenário político e econômico após as eleições presidenciais e das medidas que serão adotadas pelo próximo governo.
O Índice de Confiança do Sistema de Consórcios (ICSC), calculado pela ABAC desde maio de 2024, também apresentou um sinal de atenção. Em junho de 2026, o indicador caiu para 53,8 pontos, ficando pela primeira vez abaixo dos 60 pontos desde o início da série.
A entidade não prevê necessariamente uma recessão severa em 2027, mas considera possível uma desaceleração gradual que torne o crescimento do setor mais modesto.
Planejamento continua sendo essencial para o consumidor
Os resultados dos primeiros oito meses de 2026 mostram a expansão do sistema de consórcios e sua presença em diferentes segmentos da economia brasileira. Ao mesmo tempo, as perspectivas para 2027 reforçam a importância de acompanhar as condições econômicas e avaliar a capacidade de assumir compromissos de longo prazo.
Antes de aderir a um grupo, o consumidor deve comparar taxas de administração, prazos, regras de contemplação e demais condições contratuais. Também é importante considerar que o consórcio não garante acesso imediato ao bem ou serviço desejado.
O planejamento financeiro e a análise cuidadosa do orçamento continuam sendo fundamentais para que a modalidade seja utilizada de acordo com os objetivos e as condições de cada participante.
Fonte – Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC).
Texto com apoio da Inteligência Artificial/Edição da Coopnews
Foto – ABAC
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