O Dia Mundial das Cidades, celebrado em 31 de outubro, convida governos, instituições e sociedade a refletirem sobre os desafios da urbanização e a necessidade de garantir melhores condições de vida para a população. Em 2026, a Organização das Nações Unidas (ONU) escolheu como tema “Transformando a cidade: moradia adequada para todas as pessoas”, destacando o acesso à habitação como uma questão essencial para reduzir desigualdades e promover o desenvolvimento sustentável. A preocupação tem dimensão global: segundo mensagem do secretário-geral da ONU, António Guterres, mais de 3 bilhões de pessoas não têm acesso à moradia adequada, incluindo 1,1 bilhão que vivem em assentamentos informais. Além da falta de habitação, as cidades enfrentam dificuldades relacionadas à infraestrutura, ao custo de vida, aos serviços básicos e aos riscos provocados pelas mudanças climáticas. A data reforça que construir cidades melhores não significa apenas realizar obras, mas planejar espaços urbanos que ofereçam moradia digna, saneamento, mobilidade, segurança, acessibilidade e oportunidades para todos.
Instituído pela Assembleia Geral das Nações Unidas, o Dia Mundial das Cidades foi celebrado pela primeira vez em 2014. A data encerra o chamado Outubro Urbano, período dedicado a debates e iniciativas sobre urbanização sustentável e desenvolvimento das cidades.
O objetivo é ampliar a conscientização internacional sobre as oportunidades e os problemas relacionados ao crescimento urbano, além de estimular a cooperação entre países, governos locais, instituições e comunidades.
As cidades concentram oportunidades de trabalho, educação, cultura e acesso a serviços, mas também convivem com desigualdades, dificuldades de moradia, congestionamentos, poluição, falta de saneamento e ocupações em áreas vulneráveis.
Por isso, a data não representa apenas uma comemoração. É uma oportunidade para discutir como o planejamento urbano pode melhorar a vida das pessoas e tornar os municípios mais inclusivos, resilientes e sustentáveis.
Moradia adequada é o tema central de 2026
Neste ano, a ONU destaca a moradia adequada como elemento fundamental para transformar as cidades.
A mensagem do secretário-geral António Guterres chama atenção para a situação de mais de 3 bilhões de pessoas que não têm acesso a habitação adequada. Desse total, aproximadamente 1,1 bilhão vive em assentamentos informais.
O problema vai além da ausência de uma casa. Moradia adequada também envolve segurança da posse, acesso à água potável, saneamento, energia, infraestrutura, localização apropriada e condições que permitam viver com dignidade.
O tema de 2026, “Transformando a cidade: moradia adequada para todas as pessoas”, propõe que a renovação dos espaços urbanos seja acompanhada pela ampliação da oferta habitacional e pela melhoria dos bairros existentes.
A ONU também destaca a importância de garantir que as melhorias não provoquem o afastamento das comunidades que já vivem nesses territórios. A participação dos moradores no planejamento das transformações é considerada essencial para que os benefícios alcancem a população local.
Desigualdade, infraestrutura e mudanças climáticas
Outro desafio importante é preparar as cidades para enfrentar os efeitos das mudanças climáticas. Enchentes, deslizamentos, ondas de calor e outros eventos extremos atingem principalmente populações que vivem em áreas de risco ou em moradias sem estrutura adequada.
A falta de saneamento básico, a precariedade das vias, a ausência de espaços públicos e as dificuldades de mobilidade também afetam diretamente a qualidade de vida.
Nesse cenário, o planejamento urbano precisa integrar políticas de habitação, transporte, infraestrutura, meio ambiente e serviços públicos.
A Confederação Nacional de Municípios (CNM) destaca que os desafios urbanos exigem articulação entre as administrações municipais e os demais níveis de governo, com políticas capazes de transformar compromissos de desenvolvimento sustentável em ações concretas nos territórios.
A discussão também se relaciona à Nova Agenda Urbana, aprovada em 2016, durante a Conferência das Nações Unidas sobre Habitação e Desenvolvimento Urbano Sustentável, a Habitat III, realizada em Quito, no Equador. O documento estabelece diretrizes internacionais para promover cidades mais inclusivas, seguras, resilientes e sustentáveis.
Amazonas também enfrenta desafios do desenvolvimento urbano
No Amazonas, as discussões sobre o futuro das cidades envolvem questões como pavimentação, saneamento, habitação, mobilidade e iluminação pública, tanto na capital quanto nos municípios do interior.
Entre as iniciativas estaduais relacionadas a esses desafios estão programas coordenados pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano (Sedurb) e pela Unidade Gestora de Projetos Especiais (UGPE).
O Programa Social e Ambiental de Manaus e Interior (Prosamin+) reúne intervenções de saneamento, urbanização e habitação. Em Manaus, as ações incluem obras ao longo do Igarapé do Quarenta e o reassentamento de famílias que viviam em áreas sujeitas a alagamentos.
De acordo com informações do Governo do Amazonas, aproximadamente 3 mil famílias já foram reassentadas nessas intervenções. O programa também prevê a construção de 808 unidades habitacionais.
Na área de mobilidade e infraestrutura viária, o Asfalta Amazonas prevê investimentos de R$ 1,03 bilhão para pavimentação e recuperação de 1.025,68 quilômetros de vias e ramais em todo o estado.
Já o Ilumina+ Amazonas promoveu a modernização da iluminação pública nos municípios do interior e em comunidades rurais, ribeirinhas e indígenas, com instalação de luminárias de LED.
Essas iniciativas representam exemplos de intervenções relacionadas a alguns dos temas discutidos no Dia Mundial das Cidades. A data, entretanto, reforça que o desenvolvimento urbano exige planejamento contínuo, participação da população e políticas públicas capazes de garantir moradia adequada e acesso aos serviços essenciais.
Cidades melhores dependem de planejamento e participação
O Dia Mundial das Cidades chama atenção para uma questão que afeta diretamente o cotidiano de milhões de pessoas: o direito de viver em espaços urbanos com dignidade, segurança e oportunidades.
A construção de cidades mais sustentáveis depende da integração entre habitação, infraestrutura, mobilidade, saneamento, preservação ambiental e participação comunitária.
Mais do que ampliar obras e serviços, o desafio é garantir que as transformações urbanas beneficiem a população, reduzam desigualdades e ofereçam condições adequadas de vida às gerações atuais e futuras.
Fonte – Nações Unidas (ONU), Confederação Nacional de Municípios (CNM) e Agência Amazonas.
Texto com apoio da Inteligência Artificial/Edição da Coopnews
Foto – Arquivo UGP
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