Ciência e Tecnologia

Envelhecimento no ENEM 2025 é destaque e motivo de celebração para a Associação Brasileira de Gerontologia

Debate sobre o envelhecimento ganha força e evidencia a necessidade de políticas públicas voltadas à população idosa.
Associação defende a valorização do bacharel em Gerontologia e a expansão dos cursos de formação.
Tema reforça a importância de regulamentar a profissão de gerontólogo no Brasil.

Trata-se de uma iniciativa essencial diante do idadismo, do pouco interesse social pelo tema e da falta de investimentos em políticas públicas voltadas para uma população que envelhece rapidamente. Soma-se a isso a escassez de profissionais qualificados, como os formados nos cursos de bacharelado em Gerontologia, preparados para atender as demandas dessa realidade. A pergunta que permanece é direta e urgente: como envelhecer em uma sociedade que ainda trata o envelhecimento com invisibilidade e desvalorização?

Embora o Estatuto da Pessoa Idosa, de 2003, estabeleça direitos e garantias para quem tem 60 anos ou mais, o cenário brasileiro mostra que as pessoas continuam envelhecendo sem as mesmas oportunidades e enfrentando barreiras importantes no acesso à saúde, à moradia e a direitos básicos. O país já ultrapassa 33 milhões de pessoas idosas, e as projeções indicam que, em 2050, um em cada quatro brasileiros terá 60 anos ou mais. Nesse grupo, destaca-se o crescimento acelerado da população 80+, que pode chegar a 9,4 a 10,8 milhões em 2040, representando aproximadamente 19% das pessoas com 60+. É a chamada Revolução da Longevidade: o Brasil envelhece rápido, muito mais rápido do que países europeus, mas sem a mesma preparação para acolher e cuidar dessa população.

A escolha do tema da redação e o aumento do número de candidatos idosos no ENEM podem estar conectados, já que ambos revelam uma mudança de olhar. O envelhecimento passa a ser entendido como um processo social e educativo, que envolve direitos, oportunidades e políticas de inclusão. Essa visão está em sintonia com as metas da Década do Envelhecimento Saudável (2021–2030), iniciativa da OMS que reforça a importância de ambientes acessíveis, do combate ao idadismo e da promoção da aprendizagem ao longo da vida.

Ampliar cursos de bacharelado em Gerontologia

Um dos caminhos para promover o envelhecimento com equidade e dignidade é o provimento de recursos humanos na área do envelhecimento, com a expansão dos cursos de bacharelado em Gerontologia no Brasil e com a regulamentação da profissão de gerontólogo, exercida pelo profissional bacharel em Gerontologia.

Enquanto ABG, destacamos que o primeiro curso de bacharelado em Gerontologia no Brasil foi iniciado em 2005 pela Universidade de São Paulo (USP), seguido pelo curso de bacharelado em Gerontologia da Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR), em 2009. Desde então já se formou mais de 1.800 profissionais, espalhados pelo Brasil.

Os egressos do bacharelado em Gerontologia atuam em diversos cenários e contextos do envelhecimento, com maior destaque na área da saúde realizando atividades de gestão aplicadas às pessoas idosas, famílias, comunidades, organizações, serviços e políticas públicas. As atividades do bacharel em Gerontologia estão enquadradas na Classificação Brasileira de Ocupações 1312-20 desde 2015, com destaque às funções de planejamento, gestão e integração dos conhecimentos biopsicossociais do envelhecimento.

No contexto da área da saúde, o profissional bacharel em Gerontologia pode atuar aplicando os seus conhecimentos no acompanhamento dos usuários idosos na atenção básica, atenção secundária e terciária; no apoio a gestão das instituições; articulação de políticas e monitoramento de indicadores voltados para saúde e atenção na área da pessoa idosa.

No contexto da assistência social, o profissional bacharel em Gerontologia pode contribuir com os trabalhos desenvolvidos nos Centros de Referência da Assistência Social (CRAS) e Centros de Referência Especializado da Assistência Social (CREAS) com ações voltadas a escuta dos usuários, prevenção e manejo das situações de violência, avaliação multidimensional, articulação com a saúde e demais políticas, gestão de equipamentos e serviços voltados à pessoa idosa.

Na área da educação, o bacharel em Gerontologia pode atuar na diminuição de atitudes discriminatórias e idadistas, com enfoque na educação básica, ensino médio e superior, além de ações coletivas, voltadas para educação para a sociedade. Também em programas e iniciativas socioeducativas voltados para as pessoas idosas, com foco na inclusão digital, bem-estar mental, envelhecimento ativo e convivência comunitária.

Os locais de inserção de profissionais gerontólogos (bacharel em Gerontologia) apresentam mudanças, crescimento e melhorias nas práticas institucionais, pois a sua formação proporciona a este profissional conhecimento técnico para a utilização de indicadores, planejamento, ferramentas de gestão, avaliação multidimensional como instrumentos importantes para sua atuação. Nesse ínterim também auxiliam na formação de profissionais, no apoio da rede socioassistencial e de saúde, e na articulação de ações numa relação de parceria com as demais profissões.

Acreditamos, dessa forma, que para obter perspectivas mais promissoras de envelhecimento no Brasil, torna-se emergente investir em formação qualificada na área, na criação de serviços e na regulamentação da profissão de gerontólogo no Brasil.

Nosso apelo é para que as universidades passem a ofertar o curso de bacharelado e que o projeto de lei 9.003/2017, que atualmente está na Comissão do Trabalho sob relatoria do deputado Alexandre Lindenmeyer (PT) possa avançar priorizando a qualidade da formação em Gerontologia no Brasil. O entrave atual versa sobre a diferenciação da profissão de bacharelado e tecnólogo em Gerontologia. Ressaltamos que apenas o profissional bacharel em Gerontologia possui a visão qualificada para planejar e atender a população idosa no contexto da Gestão em Gerontologia.

Convidamos, nesse contexto, prefeituras, governantes e representantes do poder público a unirem esforços com os profissionais bacharéis em Gerontologia na criação de serviços. A Gerontologia possui muito a contribuir e o profissional gerontólogo é vital para que o envelhecimento seja um processo assistido e bem orientado.

 

 

Fonte – Henrique Salmazo da Silva e Thais Bento Lima da Silva

Foto de José Cruz/Agência Brasil

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