Geral

Gestão para empreendimentos de manejo de pirarucu

O trabalho faz parte do escopo do projeto Bioeconomia Inclusiva na Amazônia
Estas ações de formação são executadas pelo projeto Bioeconomia e Cadeias de Valor
A ação promove a interação sustentável entre a natureza, as populações locais

Entre os dias 26 e 30 de agosto, a comunidade São Francisco da Mangueira recebeu um grupo animado de professoras e professores da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e do Instituto Federal do Amazonas (Ifam), comunitárias e comunitários de quatro associações de setores da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá e representantes de instituições de assessoria local. O grupo se reuniu para promover trocas sobre conhecimentos e ferramentas de gestão, com foco em melhorar a gestão das associações.

“Pensamos o curso a partir das necessidades locais. Fizemos um diagnóstico participativo em junho, junto a esses grupos, para entender quais são as ferramentas mais importantes para a gestão destas associações. Trabalhamos organogramas, relações institucionais e a confecção de documentos e apresentações”, destaca Elton Pereira Teixeira, professor doutor do curso de Administração da UEA. Ganhar familiaridade e dialogar sobre esses temas impactam na prática de trabalho dos grupos. “É muito bom estarmos neste curso com os outros setores, a gente aprende muito com o grupo, trocando bastante e aprendendo como trabalham. Isso ajuda a gente a pensar como trabalhar na nossa própria associação e dentro das comunidades do setor. Aprender a fazer um ofício e uma ata, por exemplo, é algo que podemos levar de aprendizado”, comenta Elqueline Silva, da Associação do setor Macopani.

E o aprendizado também vale para as universidades. “Estamos trabalhando sobre a perspectiva da Administração, Economia, Contabilidade e Comunicação, mas adequada à realidade desses grupos. Este é um aprendizado importante para nós, que estamos atuando na academia. Comumente, nossas disciplinas atuam sob a perspectiva de grandes empresas e do setor público, e aqui estamos abrindo uma nova perspectiva para a própria Escola Superior de Ciências Sociais da Universidade Estadual da Amazonas para que também possamos trabalhar a partir da realidade de gestão de empreendimentos de base comunitária”, destaca Elton.

Este momento é parte de um conjunto de atividades. Foi o primeiro módulo, sendo prevista a realização de um segundo em fevereiro de 2025. No intervalo, o grupo de estudantes terá reuniões regulares de acompanhamento, para apoio na implementação do plano de ação que foi construído nesta etapa. “O curso foi um importante incentivo à apropriação de ferramentas participativas para a gestão de associações tanto por parte das lideranças comunitárias, quanto pelos profissionais de ensino envolvidos. Cooperar para o desenvolvimento de formações pelas instituições públicas de ensino junto aos povos indígenas e comunidades tradicionais é um dos nossos principais objetivos. Sabemos o quanto essas formações colaboram com a elaboração de projetos político-pedagógicos mais adequados a essa realidade, visando à ampliação da oferta de mais profissionais formados para atuarem na bioeconomia inclusiva e sustentável”, ressalta Cláudia de Souza, assessora técnica na GIZ Brasil e coordenadora do Componente de Formação Profissional no projeto Bioeconomia e Cadeias de Valor

Além dos desafios para promover uma gestão mais eficiente, participativa e transparente, a realidade de trabalhar na Amazônia enfrenta inúmeras pressões. Fazer o manejo do pirarucu ocorrer é uma atividade contínua, que envolve cuidado dos lagos, vigilância, contagem de peixes e a pesca. A cada ano, vem se somando a esse trabalho enfrentar os desafios das mudanças climáticas, como a seca extrema, que dificulta o acesso aos lagos, a retirada do peixe para a evisceração e a logística de transporte. Somar a todos esses esforços melhores e mais adequadas práticas de gestão é fundamental. “Será muito importante voltar para as comunidades e apresentar o que a gente aprendeu aqui. Fizemos uma linha do tempo, onde a gente busca visualizar quando e como começaram as comunidades. Queremos mostrar para o setor Maiana essa linha do tempo, dialogar com as pessoas mais velhas e complementar a informação. E vimos muitas ferramentas diferentes. Por exemplo, nunca havíamos trabalhado o organograma de nossas associações. Eu volto com um pensamento completamente diferente para o meu setor”, disse Misaac Almeida Maciel, associado ao Setor Maiana, monitor no manejo do pirarucu e vice-presidente da sua comunidade, Mapurilândia.

É importante destacar que este curso só se tornou possível devido à parceria entre o Grupo de Pesquisa da Bioeconomia da USP, a Fundação José Luiz Egydio Setúbal, a GIZ e os professores da Universidade do Estado do Amazonas. Foi graças à dedicação impressionante de todos os envolvidos, e em particular da GIZ e professores da UEA, que conseguimos elaborar um programa de curso que responde diretamente às necessidades das comunidades que buscamos apoiar. O primeiro módulo já demonstrou o potencial transformador desta iniciativa, integrando os participantes de uma maneira que só reforça o impacto que podemos gerar juntos. A participação ativa e o engajamento que vimos até agora nos deixam muito felizes. Esse é apenas o começo de um processo que, temos certeza, trará resultados transformadores.

O trabalho faz parte do escopo do projeto Bioeconomia Inclusiva na Amazônia: Fortalecimento de Cadeias Produtivas Sustentáveis, coordenado pelo professor Jacques Marcovitch (USP) e Adalberto Val (Inpa) (Fapesp no. 2022/14597-8 e 2020/08886-1 Fapesp/Fapeam). Este projeto tem o objetivo de identificar oportunidades para aprimorar a qualidade de vida das comunidades no Amazonas e no Pará, por meio da estruturação de cadeias de valor da bioeconomia — com foco em produtos como cacau, açaí, meliponicultura e pirarucu —, promovendo a interação sustentável entre a natureza, as populações locais e os diversos atores envolvidos ao longo desse processo.

Especificamente, estas ações de formação são executadas pelo projeto Bioeconomia e Cadeias de Valor, desenvolvido pela Cooperação Brasil-Alemanha para o Desenvolvimento Sustentável, por meio da parceria entre MDA e a Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ) GmbH, com recursos do Ministério Federal da Cooperação Econômica e do Desenvolvimento (BMZ). O processo de formação ainda conta com a participação da UEA, da Fundação Amazônia Sustentável (FAS) e do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, também com apoio da Fundação José Egídio Setúbal e do Conselho Nacional de Pesquisa.

 

Fonte – USP

Foto – Divulgação

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