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Mulheres já lideram produção em 2 de cada 10 propriedades rurais no Brasil

Estudo mostra avanço da presença feminina no campo, com destaque para a AgriculturaFamiliar.
Apesar dos avanços, desigualdade de renda ainda marca o trabalho feminino no agronegócio.
Pecuária concentra maior participação de mulheres na gestão das propriedades rurais.

As mulheres já estão à frente da produção agropecuária em 19% das propriedades rurais brasileiras, o equivalente a duas em cada dez unidades produtivas no país. A presença feminina é ainda mais forte em pequenas áreas e na Agricultura Familiar, especialmente em propriedades de até 20 hectares. Apesar do avanço na gestão do campo, os dados também revelam desigualdades importantes, principalmente em relação à renda e ao reconhecimento profissional. O cenário foi detalhado em estudo da Fundação IDH, que analisou a atuação feminina em diferentes cadeias do agronegócio brasileiro.

A presença das mulheres no campo brasileiro vem crescendo de forma consistente, mas ainda enfrenta desafios estruturais. Segundo o levantamento “Mulheres nas Cadeias de Valor do Agronegócio Brasileiro”, da Fundação IDH, elas já comandam a produção em 19% das propriedades rurais do país. Essas unidades representam cerca de 30 milhões de hectares, o equivalente a 8,5% da área agrícola nacional.

O estudo mostra que essa atuação feminina está concentrada principalmente em pequenas propriedades, muitas delas ligadas à Agricultura Familiar, que segue como base fundamental da produção de alimentos no Brasil. Nesse segmento, as mulheres assumem não apenas o trabalho no campo, mas também decisões de gestão, planejamento e comercialização.

Apesar do protagonismo crescente, a desigualdade de renda ainda é um obstáculo importante. De acordo com o levantamento, apenas 17,4% das mulheres do setor recebem mais de três salários mínimos, enquanto entre os homens o índice chega a 29,8%. A diferença evidencia um cenário em que a participação feminina avança mais rápido do que a valorização econômica do seu trabalho.

O estudo analisou seis cadeias produtivas estratégicas do agronegócio brasileiro: pecuária, cacau, citros, soja, café e cana-de-açúcar. Em todas elas, a presença feminina já é uma realidade, embora em níveis diferentes.

A pecuária aparece como o setor com maior participação de mulheres na liderança das propriedades. Em 33% das unidades voltadas à atividade, elas estão no comando da produção. Já no cacau, as mulheres gerenciam 22% das propriedades, com destaque para regiões da Bahia e do Pará, onde muitas dessas áreas pertencem a famílias produtoras.

Na citricultura — que inclui culturas como laranja, limão e tangerina — a gestão feminina está presente em 18% das propriedades. No caso da soja, principal cultura do agronegócio brasileiro, o estudo aponta uma participação mais limitada: as mulheres representam 17% da força de trabalho e ainda enfrentam barreiras culturais e sociais para assumir posições de liderança.

No café, uma das culturas mais tradicionais do país, a presença feminina na gestão aparece em 13,2% dos estabelecimentos. Porém, quando as mulheres estão no comando, há um dado relevante: elas ampliam a participação feminina na mão de obra para 43%, muito acima dos 24% observados em propriedades lideradas por homens.

Já na cana-de-açúcar, a presença feminina ainda é mais restrita. Apenas 8,8% da força de trabalho é composta por mulheres e somente 5,4% ocupam cargos de liderança, mostrando que esse setor ainda é um dos mais desafiadores para a inclusão feminina.

Para a Fundação IDH, as mulheres do campo também se destacam como agentes de inovação. O estudo aponta que elas tendem a priorizar práticas de responsabilidade social e técnicas de conservação do solo, contribuindo para modelos de produção mais sustentáveis e equilibrados.

A Fundação IDH — Iniciativa de Comércio Sustentável, em holandês — tem sede em Utrecht, nos Países Baixos, e atua no Brasil em cadeias produtivas de estados como Mato Grosso, Pará, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte. A organização reforça que o fortalecimento da presença feminina no campo é um passo essencial para um agronegócio mais inclusivo, produtivo e sustentável.

Com números que mostram avanço, mas também desigualdade, o retrato da participação feminina no campo brasileiro evidencia uma transformação em curso — especialmente dentro da Agricultura Familiar, onde muitas dessas histórias de liderança e resistência continuam sendo construídas diariamente.

 

 

 

Fonte – Agência Brasil

Texto com apoio da Inteligência Artificial/Edição da Coopnews

Foto – Agência Amazonas

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