Ciência e Tecnologia

Sensor inovador usa “EnzimasNaturais” artificiais e detecta vitamina C em segundos

Tecnologia desenvolvida com nanomateriais promete revolucionar análises de alimentos e saúde.
Estudo internacional abre caminho para sensores mais rápidos, baratos e acessíveis.
Sistema muda de cor e dispensa equipamentos laboratoriais complexos.

Um novo sensor desenvolvido por pesquisadores do Brasil e dos Estados Unidos promete transformar a forma como a vitamina C é detectada em alimentos. Baseada em nano materiais que imitam o funcionamento de enzimas naturais — conhecidas como “Enzimas Naturais” artificiais ou nano enzimas — a tecnologia realiza análises em menos de um minuto, com alta precisão e sem a necessidade de equipamentos laboratoriais sofisticados. O sistema, que muda de cor conforme a presença do nutriente, foi testado em diferentes tipos de suco de laranja e apresentou resultados próximos de 100% de eficiência.

O avanço representa um passo importante na área da nanotecnologia aplicada à alimentação e à saúde. O sensor colorimétrico desenvolvido pelos cientistas utiliza uma combinação inédita de nanofibras de óxido de zinco e cobalto com MXenes — materiais ultrafinos considerados uma das grandes promessas da ciência dos materiais na última década.

Na prática, o sistema funciona como um “indicador visual”. O material reage com a tetrametilbenzidina (TMB), substância incolor que, ao entrar em contato com o sensor, ganha coloração azul. Quando há vitamina C na amostra, essa coloração perde intensidade progressivamente, permitindo identificar e até estimar a concentração do nutriente de forma rápida e visual.

O grande diferencial da tecnologia está na precisão e na simplicidade. Mesmo em amostras complexas, como sucos naturais, industrializados e em pó, substâncias comuns como açúcar e sais não interferem na medição. Isso reforça a seletividade do método e amplia seu potencial de uso em situações reais.

A pesquisa foi conduzida por instituições como a Embrapa Instrumentação, a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), a Universidade Federal da Bahia (UFBA) e o Instituto de Nanomateriais AJ Drexel, nos Estados Unidos. O trabalho também contou com colaboração internacional e apoio de agências de fomento brasileiras.

Segundo os pesquisadores, o sistema se baseia em uma estrutura que simula a ação de enzimas naturais — as chamadas “Enzimas Naturais” artificiais. Essas nano enzimas apresentam alta estabilidade, baixo custo e grande eficiência em reações químicas, o que as torna ideais para sensores modernos.

Além disso, os MXenes — materiais bidimensionais descobertos em 2011 — desempenham papel central no desempenho da tecnologia. Com alta condutividade elétrica, grande área superficial e facilidade de dispersão em água, esses materiais vêm sendo estudados para aplicações em áreas como energia, meio ambiente, medicina e agricultura.

De acordo com estimativas de mercado, o setor de materiais baseados em MXenes deve crescer de forma acelerada nos próximos anos, podendo ultrapassar US$ 200 milhões até 2034, impulsionado justamente pela versatilidade dessas estruturas.

No caso do sensor, a combinação entre MXenes e nanofibras criou um efeito sinérgico que potencializa a reação química e acelera a detecção da vitamina C. Os testes foram realizados em diferentes tipos de suco de laranja e demonstraram alta precisão, com resultados consistentes em múltiplas medições.

Para os cientistas, a inovação vai além da análise de alimentos. A tecnologia pode ser adaptada futuramente para aplicações médicas, como monitoramento de vitamina C em fluidos biológicos, além de usos ambientais e industriais. A ideia é evoluir para dispositivos portáteis, mais simples e acessíveis, capazes de levar análises de alta precisão para fora dos laboratórios.

Outro ponto destacado pelos pesquisadores é o potencial de democratização do acesso a testes químicos. Hoje, métodos tradicionais exigem equipamentos caros, mão de obra especializada e processos demorados. O novo sensor, por outro lado, entrega resultados rápidos, com baixo custo e leitura visual imediata.

A simplicidade do método também chama atenção: pequenas amostras de apenas 2 mL são suficientes para a análise, utilizando menos de 0,5 mg do material desenvolvido. Isso reduz custos e amplia as possibilidades de aplicação em larga escala.

A pesquisa reforça o papel das “Enzimas Naturais” artificiais como uma das frentes mais promissoras da nanotecnologia atual. Ao unir precisão, velocidade e baixo custo, o estudo abre caminho para uma nova geração de sensores químicos e biológicos, com impacto direto na segurança alimentar, na saúde pública e no monitoramento ambiental.

Publicado em revista científica internacional, o estudo representa mais um avanço brasileiro em colaboração com centros de pesquisa globais, consolidando o país como participante ativo no desenvolvimento de soluções inovadoras em nanotecnologia.

 

Fonte – Embrapa

Texto com apoio da Inteligência Artificial/Edição da Coopnews

Foto – Ascom/Embrapa

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