A Orquestra Brasileira de Cantores Cegos já gerou mais de 300 postos de trabalho diretos para artistas e técnicos desde a criação do projeto, em 2023. Com apoio da Lei Rouanet, a iniciativa chega à quarta temporada de apresentações, com autorização para captar R$ 1 milhão para a nova etapa. O espetáculo Repertório #04 reúne 25 profissionais no palco, incluindo 13 cantores cegos e quatro com baixa visão, além de atores, pianista e regente. A proposta combina música, teatro e pesquisa sobre o patrimônio imaterial brasileiro, com canções ligadas a tradições de diferentes regiões do país, comunidades quilombolas e povos indígenas. Ao longo de sua trajetória, o grupo também alcançou um público de 11 mil pessoas e promoveu o transporte gratuito de turmas de escolas públicas aos teatros. A iniciativa busca ampliar a participação de pessoas com deficiência visual no mercado cultural, valorizando seus talentos e reconhecendo sua atuação profissional. A nova temporada reforça ainda a diversidade musical brasileira e o papel da cultura na promoção da inclusão e da igualdade de oportunidades.
A Orquestra Brasileira de Cantores Cegos chega à quarta temporada de apresentações com resultados que destacam a inclusão profissional e a valorização da diversidade cultural. Desde a criação do projeto, em 2023, a iniciativa já gerou mais de 300 postos de trabalho diretos para artistas e técnicos e reuniu um público de 11 mil pessoas.
O projeto conta com apoio da Lei Rouanet, mecanismo de incentivo fiscal do Ministério da Cultura (MinC), que autorizou a captação de R$ 1 milhão para a nova etapa.
A iniciativa é gerida pela Associação Sociedade Cultura e Arte (SOCA Brasil), sediada em Vila Velha, no Espírito Santo. O trabalho busca ampliar o reconhecimento de pessoas com deficiência visual no mercado cultural, destacando sua atuação como artistas e profissionais da música.
Espetáculo valoriza tradições musicais brasileiras
Intitulado Repertório #04, o novo espetáculo reúne 16 arranjos originais com 17 canções inspiradas em manifestações culturais de diferentes regiões do Brasil.
O repertório inclui o congo do Espírito Santo, o Coco de Tebei de Pernambuco, a Bata do Feijão do Maranhão, chulas baianas e tradições de trabalho agrícola de Alagoas, Sergipe e Minas Gerais. Também incorpora referências musicais das comunidades quilombolas Kalunga, em Goiás, e de povos indígenas, como os Mehinako, do Xingu, os Guaranis do Rio de Janeiro e os Kaingang.
Com a nova montagem, o acervo da orquestra alcança 66 arranjos e mais de 73 obras musicais relacionadas à tradição oral.
A pesquisadora Renata Mattar organizou a seleção musical com foco em cantos de trabalho agrícola e rituais coletivos. Segundo ela, a escolha buscou reunir melodias que criassem conexões com os cantores e despertassem memórias e significados pessoais e coletivos.
A encenação reúne 25 profissionais: 13 cantores cegos, quatro cantores com baixa visão, seis atores da Cia. Poéticas da Cena Contemporânea, um pianista e o regente.
A direção cênica é de Rejane Arruda, que utiliza recursos como iluminação em alto contraste, projeção de sombras e deslocamentos espaciais do coro. A proposta combina diferentes formas de percepção e expressão artística.
Regência adaptada e criação musical
Para orientar os cantores durante as apresentações sem depender de sinais visuais convencionais, o maestro Thomas Davison desenvolveu uma técnica de regência baseada em estímulos sonoros e movimentos corporais.
Estalos de dedos, palmas, batidas dos pés no chão e rotações do tronco indicam os momentos de entrada das vozes e a movimentação do coro pelos quatro naipes.
O maestro explica que precisou adaptar sua forma de conduzir o grupo e rever conceitos tradicionais de regência para atender às necessidades da formação.
Os arranjos vocais, assinados por Tarita de Souza, combinam canto coral e música instrumental com sons cotidianos dos integrantes, como o toque das bengalas no piso.
O resultado é uma proposta artística que explora diferentes possibilidades de expressão musical e cênica, sem reduzir os participantes à condição de pessoas com deficiência.
Inclusão e reconhecimento profissional
A participação na orquestra também representa uma oportunidade de reconhecimento profissional para os cantores.
Joseni Vitorino, cantora cega e integrante do grupo, destaca que o projeto permite demonstrar capacidades que nem sempre são reconhecidas e conquistar espaço como artista.
Lucinéia Santos, também cantora cega, ressalta a importância da igualdade de oportunidades e relata que a participação na orquestra contribuiu para que encontrasse um novo rumo em sua vida.
Maria das Graças, cantora contralto cega, conta que chegou ao grupo com a autoestima abalada após uma perda significativa da visão. Segundo ela, a convivência com os demais integrantes e a experiência musical transformaram sua percepção sobre si mesma.
Além da geração de mais de 300 postos de trabalho diretos, a iniciativa busca ampliar o acesso do público à cultura. Entre as ações desenvolvidas está o transporte gratuito de turmas de escolas públicas aos teatros, facilitando a participação de estudantes nas apresentações.
Com a quarta temporada, a Orquestra Brasileira de Cantores Cegos mantém a proposta de valorizar o patrimônio musical brasileiro, ampliar oportunidades profissionais para pessoas com deficiência visual e aproximar diferentes públicos da diversidade cultural do país.
Fonte – Brasil 61 — conteúdo relacionado ao Ministério da Cultura.
Texto com apoio da Inteligência Artificial/Edição da Coopnews
Foto – /Gabriel Lordello
Orquestra Brasileira de Cantores Cegos Inclusão cultural
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