Ciência e Tecnologia

Pré-diabetes em pessoas idosas: um alerta que também pode virar cuidado

O pré-diabetes muitas vezes não dá sinais claros, mas, sem atenção, pode evoluir para o diabetes e aumentar o risco de problemas no coração.
Com informação, cuidado e acompanhamento adequado, é possível viver melhor, com mais autonomia e qualidade de vida na terceira idade.
Quando identificado cedo, ele abre espaço para mudanças simples na alimentação, na rotina e no acompanhamento de saúde.

O pré-diabetes costuma passar despercebido, mas é um sinal claro de que o corpo pede atenção. Ele surge quando a glicose no sangue começa a subir além do normal e, mesmo não sendo ainda o diabetes tipo 2, já indica risco. Sem cuidado, pode evoluir para a doença e aumentar as chances de problemas no coração e na circulação.

Entre as pessoas idosas, esse alerta é ainda mais forte. Estudos mostram que o pré-diabetes é muito comum nessa fase da vida e atinge mais da metade dessa população em algumas pesquisas. No Brasil, cerca de 15 milhões de pessoas vivem com a condição, muitas sem diagnóstico, o que reforça a importância de exames regulares.

Boa parte desse cenário está ligada aos hábitos construídos ao longo dos anos. Falta de atividade física, alimentação pouco equilibrada e estresse constante contribuem para o aumento da glicose e para o avanço silencioso do pré-diabetes.

A boa notícia é que esse quadro pode ser controlado e, em muitos casos, revertido. Mudanças simples na rotina, como melhorar a alimentação, se movimentar mais e acompanhar a saúde de perto, já fazem diferença significativa.

Cuidar do pré-diabetes é investir em qualidade de vida agora e no futuro. Com informação, prevenção e escolhas mais saudáveis, é possível envelhecer com mais autonomia, saúde e bem-estar.

Você apresenta ou conhece alguém com esses sintomas?

O pré-diabetes muitas vezes não apresenta sinais evidentes, mas alguns sintomas podem surgir e merecem atenção:
– Cansaço frequente
– Sede excessiva (polidipsia)
– Urinar com mais frequência (poliúria)
– Visão embaçada
– Fome exagerada (polifagia)
– Dificuldade para perder peso
– Acúmulo de gordura abdominal
– Escurecimento de áreas da pele, como axilas e pescoço (acantose nigricans)

A boa notícia é que o pré-diabetes é reversível com mudanças no estilo de vida e acompanhamento adequado. O diagnóstico precoce é o primeiro passo para evitar o avanço para o diabetes tipo 2.

Cuidados importantes para envelhecer com saúde

A prevenção e o controle do pré-diabetes passam por práticas cotidianas que favorecem o bem-estar físico, mental e emocional da pessoa idosa:
– Manter uma alimentação equilibrada e rica em nutrientes
– Praticar atividades físicas regularmente, respeitando os limites individuais
– Controlar o peso corporal
– Monitorar os níveis de glicemia periodicamente
– Reduzir o estresse e cultivar momentos de lazer
– Priorizar um sono de qualidade
– Evitar o tabagismo e o consumo excessivo de álcool
– Ter acompanhamento médico contínuo e individualizado

Serviços e equipamentos de apoio à pessoa idosa que podem auxiliar diante desse contexto

Diversos espaços e serviços estão disponíveis para promover o cuidado integral e o envelhecimento saudável. Confira alguns deles:

CDI – Centro Dia para Idosos: Unidade de acolhimento diurno para pessoas idosas com dependência parcial. Oferece cuidado, alimentação, atividades físicas e suporte às famílias e cuidadores.

CCINTER – Centro de Convivência Intergeracional: Promove a convivência entre gerações e a prevenção de situações de vulnerabilidade, fortalecendo vínculos familiares e comunitários.

CRPI – Centro de Referência da Pessoa Idosa: Espaço especializado no atendimento integral da pessoa idosa, com serviços de saúde, atividades físicas e culturais, e orientações jurídicas e sociais.

CATI – Centro de Atenção à Terceira Idade: Ambiente de convivência que oferece oficinas, atividades culturais e ações de integração comunitária.

PAPI – Posto Avançado da Pessoa Idosa: Espaço que promove socialização, oficinas e atendimento com equipe multidisciplinar, estimulando a autonomia e qualidade de vida.

URSI – Unidade de Referência à Saúde do Idoso: Oferece atendimento especializado em saúde, com foco em reabilitação e acompanhamento integral da saúde da pessoa idosa.

Envelhecimento ativo e com autonomia

Por fim, adotar um estilo de vida saudável é essencial para melhorar a qualidade de vida e aumentar a longevidade. Hábitos como alimentação equilibrada, prática regular de atividades físicas, sono adequado e controle do estresse contribuem significativamente para a prevenção de doenças crônicas, como diabetes tipo 2, hipertensão e doenças cardíacas.

Além disso, esses hábitos fortalecem o sistema imunológico, melhoram a saúde mental e emocional, e aumentam os níveis de energia e disposição. Estudos indicam que mudanças simples, como substituir 30 minutos de sedentarismo diário por atividade física ou sono adicional, podem reduzir o risco de eventos cardíacos em até 61% . Portanto, adotar práticas saudáveis no dia a dia é um investimento valioso para uma vida mais longa, saudável e satisfatória.

Referências consultadas

Estadão. Pré-diabetes: uma segunda chance para 15 milhões de brasileiros. Disponível em:https://www.estadao.com.br/emais/comida-de-verdade/pre-diabetes-uma-segu nda-chance-para-15-milhoes-de-brasileiros/. Acesso em: 3 jun. 2025.

Einstein. Você sabe o que é a pré-diabetes? Entenda tudo sobre o assunto!. Disponível em: https://vidasaudavel.einstein.br/pre-diabetes/.
YAN, Z. et al. The Interaction Between Age and Risk Factors for Diabetes and Prediabetes: A Community-Based Cross-Sectional Study. Diabetes, Metabolic Syndrome and Obesity, v. 16, p. 85–93, jan. 2023. https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC9843502/#ack1

 

 

(*) Ester Fontes Silva – Graduanda do 5º período de Gerontologia (EACH-USP). Monitora da oficina Demarcar Telas, uma proposta que articula arte e envelhecimento. Integrante do Instituto Semear e do coletivo Sobre Nós, iniciativas que tem como foco a equidade. Atualmente. Estagiária no Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia e do Posto Avançado da Pessoa Idosa, em espaços hospitalares e comunitários. Integrante do Centro Acadêmico de Gerontologia, construção de uma gerontologia comprometida com a transformação social. E-mail: esterfontes@usp.br
Débora Sabino Rodrigues – Graduanda do 5º período de Gerontologia (EACH-USP). Atuo como monitora na oficina Letramento Digital: Idosos Online, onde dou aula para as pessoas idosas sobre informática, e como voluntária na oficina Mentes Ativas, onde damos aulas voltadas ao estímulo cognitivo para as pessoas idosas, promovendo um envelhecimento ativo e saudável. Estágio na oficina Gerações, além de integrar o Centro Acadêmico de Gerontologia, como diretora de Comunicação e Marketing e sou membro da Liga de Gerontologia no departamento de Comunicação e Marketing. E-mail: deborasabino@usp.br
Thais Bento Lima da Silva – Gerontóloga formada pela Universidade de São Paulo (USP). Mestra e Doutora em Ciências com ênfase em Neurologia Cognitiva e do Comportamento, pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Docente do curso de Bacharelado e de Pós-Graduação em Gerontologia da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH-USP), pesquisadora do Grupo de Neurologia Cognitiva e do Comportamento da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e diretora científica da Associação Brasileira de Gerontologia (ABG). Coordenadora de grupos de apoio, da Associação Brasileira de Alzheimer- Regional São Paulo. É parceira científica do Método Supera na condução de ensaios clínicos. Coordenadora do Grupo de Estudos em Treino Cognitivo da USP. E-mail: thaisbento@usp.br

Foto – Jonathan Borba/pexels.

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