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Servidor do Acre une abelhas sem ferrão, ecoturismo e preservação na Amazônia

Projeto Trilha do Mel transforma a meliponicultura em alternativa de renda e conscientização ambiental na Estrada do Quixadá.
Ações da ONG Mãos que Ajudam capacitam moradores e valorizam méis nativos com sabores únicos do bioma amazônico.
Governo do Estado fortalece a cadeia produtiva com meta de alcançar 22 toneladas de mel até 2030 e a realização da 1ª Feira do Mel.

A paixão pelo meio ambiente e o desejo de promover o desenvolvimento sustentável levaram o servidor público Gabriel Ribeiro, da Defensoria Pública do Acre, a transformar a criação de abelhas nativas sem ferrão em um projeto integrador de meliponicultura, educação ambiental e ecoturismo próximo a Rio Branco. A iniciativa deu origem à ONG Mãos que Ajudam e à experiência turística “Trilha do Mel”, que combina vivência na floresta, gastronomia regional e manejo sustentável de mais de 50 colmeias. O projeto, que já atrai visitantes de diversas partes do país, dialoga com o fortalecimento da cadeia produtiva promovido pelo governo estadual, por meio do Núcleo da Cadeia Produtiva do Mel (Numel) da Secretaria de Estado de Agricultura (Seagri). Unindo capacitação comunitária, preservação da biodiversidade e a estruturação do setor — que projeta expandir sua produção das atuais 14 toneladas para 22 toneladas anuais até 2030 —, a iniciativa posiciona o Acre como um promissor polo de bioeconomia na Amazônia.

A paixão pelo meio ambiente mantida desde a infância levou Gabriel Ribeiro, servidor da Defensoria Pública do Acre, a retomar um antigo interesse durante o período da pandemia: a criação de abelhas nativas sem ferrão. O que começou como hobby cresceu e se transformou em um projeto que alia meliponicultura, educação ambiental e ecoturismo, impulsionando um mercado promissor no estado. Dessa iniciativa nasceu a organização não governamental (ONG) Mãos que Ajudam, voltada para alternativas socioambientais que integram desenvolvimento sustentável, produção e expansão do turismo ecológico, fortalecendo a cadeia produtiva do mel que vem crescendo localmente desde 2018.

“Eu sempre tive contato com a floresta, desde criança. Na pandemia, voltamos a estudar sobre as abelhas e percebi que poderia unir produção de mel com turismo sustentável. Hoje, nosso trabalho é mostrar que cuidar das abelhas é também cuidar da floresta”, afirma Gabriel.

A experiência da Trilha do Mel

A imersão turística, batizada de Trilha do Mel, inicia com um café da manhã regional servido em meio à mata, com pratos típicos como baixaria, banana frita e tapioca. Na sequência, os visitantes percorrem uma trilha ecológica de 1,5 km, onde aprendem sobre a história da seringueira, conhecem árvores emblemáticas como o apuí e podem avistar animais silvestres, como macacos, em uma área de 150 hectares localizada na Estrada do Quixadá, próxima a Rio Branco.

Ao longo do percurso, Gabriel mantém mais de 50 caixas de espécies nativas sem ferrão. Os participantes têm a oportunidade de abrir colmeias, observar o manejo e degustar méis de variadas propriedades. “Tem mel doce, salgado e até amargo. Essa diversidade mostra a riqueza do nosso bioma”, explica. A programação é encerrada com um banho de lago.

Educação, capacitação e impacto socioambiental

Além da atividade turística, a ONG promove, trimestralmente, cursos de formação para novos meliponicultores. “Aos nossos encontros vêm estudantes, servidores públicos, moradores da periferia e até crianças. Todos aprendem como criar abelhas sem ferrão de forma sustentável, sem derrubar árvores. É um trabalho que transforma o ecossistema de maneira positiva”, destaca Gabriel.

No Acre, já foram catalogadas mais de 60 espécies de abelhas nativas sem ferrão, inseridas no universo de mais de 400 existentes no Brasil. Além do mel, essas espécies produzem o saburá (pólen das abelhas), alimento rico em proteínas. “Estudos mostram que o pólen ajuda a regular a glicose no corpo. É um alimento natural e acessível, que pode melhorar a vida de muita gente”, ressalta.

Atualmente, o projeto atrai entre 15 e 35 visitantes por mês e impacta diretamente mais de 60 pessoas, recebendo em sua maioria turistas de fora do estado em busca de vivências autênticas na Amazônia. A iniciativa atua ainda em parceria com comunidades indígenas e ONGs internacionais. “Quem cuida das abelhas precisa reflorestar. Então, automaticamente, quem antes derrubava árvores passa a plantar. As abelhas são um indicador de equilíbrio ambiental”, resume.

Em termos de potencial regional, Gabriel compara a estrutura local a outras regiões: “No Paraná, que já perdeu grande parte da Mata Atlântica, a produção de mel chega a milhares de toneladas. Imagine o que podemos alcançar aqui, com toda a diversidade da Amazônia. Nosso trabalho é multiplicar esse conhecimento e mostrar que a bioeconomia pode transformar vidas”.

Valorização da cultura e turismo consciente

A vivência atrai visitantes como Maria Luísa Rodrigues, servidora da Caixa Econômica Federal vinda de Belo Horizonte (MG). Motivada pelo interesse na Região Norte e pela referência histórica de Chico Mendes, ela desembarcou em Rio Branco no dia 7 de setembro e percorreu destinos como a Reserva Extrativista Chico Mendes em Xapuri, Brasileia, Epitaciolândia e Cobija, na Bolívia. No Acre, participou de atividades do projeto Florestania, visitou o Museu da Borracha, o Parque Ambiental Chico Mendes, realizou passeios de caiaque na Área de Proteção Ambiental do Lago do Amapá e conheceu os geoglifos locais.

“É preciso chegar com a mente aberta, sem esperar encontrar o que vimos em outros lugares, mas sim descobrir o que o estado realmente oferece”, reflete Maria Luísa, destacando a importância de valorizar a cultura local, o artesanato, as reservas extrativistas e a produção agrícola tradicional, como a do mel. “É uma questão de pertencimento e valorização do meio ambiente. Cada turista tem seu perfil de busca, e o Acre tem muito a oferecer”, conclui a mineira, que planeja retornar para conhecer Cruzeiro do Sul.

Apoio institucional e avanço da produção

A estruturação do setor conta com a atuação do Núcleo da Cadeia Produtiva do Mel (Numel), ligado à Secretaria de Estado de Agricultura (Seagri). Coordenado por Rúbia Lima, o núcleo já alcança 15 municípios e atende cerca de 240 produtores rurais, extrativistas e indígenas.

A Seagri oferece assistência técnica, capacitações, oficinas, fomento com insumos e equipamentos (como caixas, cera e EPIs), além de logística com a aquisição de trailers e uma van para o beneficiamento. O governo estadual atua também na estruturação das Casas do Mel para agregar valor à produção. A colheita atual é de cerca de 14 toneladas anuais, com a meta de atingir 22 toneladas até o ano de 2030. “Queremos ampliar a atuação para todos os municípios do Acre, organizando os produtores em polos e fortalecendo a identidade do mel acreano”, afirma Rúbia.

Entre os desafios do setor está a certificação sanitária. Atualmente, apenas uma unidade fabril possui o Selo D’Colônia, havendo o plano de expandir os registros e alcançar o Selo do Serviço de Inspeção Federal (SIF) para permitir vendas nacionais e exportações.

A consolidação desse processo terá como marco a realização da 1ª Feira do Mel do Acre, proposta idealizada por Gabriel e acolhida pela Seagri. O evento contará com palestrantes do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e servirá como espaço para comercialização, troca de conhecimento e conscientização ambiental. Com méis de perfil sensorial diferenciado — incluindo o reconhecimento de uma produtora acreana conquistando o 3º lugar em uma competição nacional de qualidade —, o estado busca consolidar sua posição em mercados de alto valor agregado que priorizam produtos com identidade territorial e origem sustentável.

 

Fonte – Agência de Notícias do Acre (Agência Acre)

Texto com apoio da Inteligência Artificial/Edição da Coopnews

Foto – Divulgação/Agência Sebrae de Notícias

 

abelhas sem ferrão ecoturismo no Acre

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