Ciência e Tecnologia

Ufam cria plataforma que monitora e prevê a qualidade do ar no Amazonas

Sistema acompanha as condições atmosféricas em Manaus e outros cinco municípios do estado.
Ferramenta analisa partículas, focos de incêndio, ventos e prevê a qualidade do ar para as próximas 24 horas.
Boletins são divulgados quatro vezes ao dia e podem apoiar decisões em períodos de fumaça intensa.

A Universidade Federal do Amazonas (Ufam) desenvolveu uma plataforma digital para monitorar e prever a qualidade do ar em seis municípios do estado, contribuindo para o acompanhamento da fumaça das queimadas durante o período de estiagem. O sistema Qualiar-Ufam foi criado pelo Centro de Ciências do Ambiente (CCA) e pela Prefeitura do Campus Universitário (PCU), por meio da Comissão de Qualidade do Ar da instituição. A ferramenta acompanha Manaus, Itacoatiara, Parintins, Humaitá, Coari e Benjamin Constant, reunindo informações sobre partículas presentes na atmosfera, focos de incêndio detectados por satélite, direção e velocidade dos ventos, umidade e previsão de chuva. Com esses dados, o sistema calcula a qualidade do ar esperada para cada uma das próximas 24 horas. A plataforma também permite visualizar mapas, gráficos e indicadores classificados conforme os níveis oficiais de qualidade do ar. Os boletins são publicados quatro vezes ao dia e podem subsidiar recomendações institucionais, pesquisas e ações de prevenção. A iniciativa busca ampliar o acesso da população às informações ambientais e contribuir para decisões mais bem fundamentadas durante episódios de poluição atmosférica no Amazonas.

A Universidade Federal do Amazonas (Ufam) desenvolveu uma plataforma digital para acompanhar e prever as condições da qualidade do ar em seis municípios amazonenses. O sistema Qualiar-Ufam foi criado pelo Centro de Ciências do Ambiente (CCA) e pela Prefeitura do Campus Universitário (PCU), por meio da Comissão de Qualidade do Ar da instituição.

A ferramenta monitora Manaus, Itacoatiara, Parintins, Humaitá, Coari e Benjamin Constant. O objetivo é fornecer informações que ajudem a acompanhar a deterioração da qualidade do ar e subsidiar recomendações à administração superior da universidade durante a estiagem e os episódios de queimadas.

A comissão, instituída pela Portaria nº 2.721/2026, utiliza os dados do Qualiar-Ufam em conjunto com o sistema MONITOR_BETA. A análise considera as informações disponíveis nas estações de monitoramento, as condições meteorológicas, a variação dos ventos, a umidade, as chuvas previstas e os focos de incêndio registrados no estado.

Como funciona o monitoramento da qualidade do ar

De acordo com o presidente da Comissão de Qualidade do Ar e diretor do CCA, professor André Mendonça, a plataforma apresenta os níveis de material particulado, mapas de distribuição espacial, gráficos de monitoramento e análises das condições atmosféricas nos municípios acompanhados.

As medições são realizadas por uma rede de sensores de baixo custo, acessada por meio da plataforma comercial PurpleAir. Os equipamentos estão instalados em diferentes locais e medem a qualidade do ar a cada poucos minutos.

Segundo o professor, as leituras passam por correções baseadas no método da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA), porque sensores desse tipo podem superestimar a poluição quando a umidade do ar está elevada, condição comum na Amazônia.

As informações são organizadas em painéis e relatórios que permitem acompanhar a evolução dos indicadores ambientais. Os dados também podem contribuir para pesquisas, ações de gestão pública e divulgação científica.

Sistema prevê para onde a fumaça pode seguir

A cada hora, o Qualiar-Ufam reúne quatro conjuntos principais de informações para acompanhar as condições atmosféricas e estimar a qualidade do ar.

O primeiro mostra as condições atuais, com as medições dos sensores e as tendências observadas nas últimas horas. O segundo identifica focos de calor detectados por satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), da Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço dos Estados Unidos (NASA) e do Painel do Fogo do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam).

O terceiro conjunto analisa a direção e a velocidade dos ventos próximos à superfície e também em altitudes de aproximadamente 800 e 1.500 metros, níveis pelos quais a fumaça das queimadas pode se deslocar. O sistema reconstrói as trajetórias do ar nas 60 horas anteriores para identificar por quais áreas com queimadas ele passou antes de chegar aos municípios monitorados.

O quarto conjunto considera as condições meteorológicas, incluindo a chuva prevista e observada e a altura da camada atmosférica na qual a fumaça se mistura ao ar. Essa camada tende a ficar mais baixa durante a madrugada e mais elevada à tarde.

Com a combinação dessas informações, a plataforma calcula a qualidade do ar esperada para cada uma das próximas 24 horas.

O resultado de cada município é calculado a partir da mediana das medições dos sensores, em vez de utilizar apenas o pior ou o melhor registro individual.

Os resultados são apresentados em cinco categorias do Índice de Qualidade do Ar (IQAr), conforme a Resolução Conama nº 506/2024: Boa, Moderada, Ruim, Muito Ruim e Péssima.

Segundo a professora Karenn Silveira Fernandes, do Departamento de Química e integrante da comissão, a apresentação por cores e categorias facilita a compreensão dos dados pela população, mesmo para quem não conhece os aspectos técnicos da medição de partículas atmosféricas.

Boletins diários e limites da plataforma

A Comissão de Qualidade do Ar da Ufam publica quatro boletins por dia, nos horários de 20h30, 2h30, 8h30 e 14h30. Os documentos apresentam a situação de cada município acompanhado e a previsão para o período seguinte.

Quando os critérios estabelecidos pela comissão indicam a necessidade de restringir ou suspender atividades, também pode ser elaborada uma nota técnica com recomendações.

Os boletins e as notas técnicas estão disponíveis na página do sistema Qualiar-Ufam.

Os responsáveis ressaltam, entretanto, que os sensores utilizados são adequados para o acompanhamento contínuo, mas não substituem as estações oficiais de referência. Em situações de fumaça muito densa, com concentrações acima de aproximadamente 500 microgramas por metro cúbico (µg/m³), as medições podem perder precisão. As previsões também apresentam limitações, principalmente na estimativa dos picos mais intensos de poluição. Por esse motivo, os boletins apresentam faixas de valores, e não apenas um número único.

Alguns municípios do interior ainda contam com apenas uma ou duas estações e começaram a ser monitorados recentemente.

Pesquisas e ampliação do monitoramento

Além do acompanhamento operacional, o Qualiar-Ufam integra um projeto de pesquisa sobre a dinâmica da fumaça durante a estiagem na Amazônia. Entre os objetivos estão identificar a origem da fumaça que chega a cada município, compreender a influência das condições meteorológicas e das características urbanas na permanência dos poluentes e ampliar a antecedência dos alertas à população.

Segundo o professor André Mendonça, o modelo incorpora resultados de pesquisas realizadas na Amazônia, incluindo medições da torre ATTO e do experimento GoAmazon, além de ajustes específicos para cada município com base nos dados locais.

A equipe pretende consolidar um modelo treinado com séries históricas de vários anos para utilização durante a estiagem de 2027 e publicar os resultados em periódico científico.

A professora Karenn Silveira Fernandes destaca que ampliar a coleta e a validação de dados é fundamental para tornar o modelo mais robusto e adequado às condições atmosféricas da região. Entre as prioridades estão expandir o monitoramento para os campi do interior, utilizar sensores locais e fortalecer o financiamento de pesquisas de graduação e pós-graduação.

A meteorologista e professora Juliane Querino, do curso de Engenharia Ambiental do Instituto de Educação, Agricultura e Ambiente (IEAA), em Humaitá, também defende a ampliação da estrutura de monitoramento para os campi da universidade fora da capital.

Segundo ela, equipamentos próprios em cada unidade podem fortalecer a pesquisa, melhorar a tomada de decisões em situações de risco e fornecer informações úteis à comunidade acadêmica e à população.

A expectativa é que, com a ampliação do monitoramento e o aperfeiçoamento das previsões, a plataforma contribua cada vez mais para orientar a sociedade, apoiar órgãos públicos e subsidiar medidas de prevenção durante os episódios de fumaça e queimadas no Amazonas.

COMO ACESSAR

Os boletins e as notas técnicas da Comissão de Qualidade do Ar estão disponíveis na página do sistema Qualiar-Ufam.

Plataforma: 

 

 

Fonte – Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM)

Texto com apoio da Inteligência Artificial/Edição da Coopnews

Foto – Júnior Souza/TRE-AM

Qualidade do ar no Amazonas Qualiar-Ufam

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