Quem percorre a movimentada Avenida Rodrigo Otávio, em Manaus, depara-se com uma imponente muralha verde que rompe a paisagem de asfalto: trata-se do fragmento florestal da Ufam. Com cerca de 700 hectares — área equivalente a aproximadamente 980 campos de futebol —, este precioso ecossistema de floresta amazônica está totalmente inserido na malha urbana da capital, abrigando nascentes, igarapés e uma rica diversidade de fauna e flora nativas. Sob a gestão compartilhada entre a Universidade Federal do Amazonas e o poder público municipal, a área integra a Área de Proteção Ambiental (APA) Manáos, desempenhando um papel crítico no equilíbrio ecológico local. Além de regular o microclima e mitigar poluentes atmosféricos gerados pelo tráfego e pelas indústrias, o fragmento florestal da Ufam funciona como um valioso laboratório vivo para o ensino, pesquisa e extensão de dezenas de cursos acadêmicos. Contudo, o isolamento ecológico imposto pelo crescimento da cidade expõe esse santuário verde a vulnerabilidades genéticas e ao avanço de ocupações irregulares, tornando sua preservação um desafio urgente e coletivo para o futuro sustentável de Manaus.
Quem percorre a movimentada Avenida Rodrigo Otávio, em Manaus, costuma se deparar com uma imponente barreira verde que rompe a paisagem urbana. Trata-se do fragmento florestal da Ufam, uma área ecológica de cerca de 700 hectares — equivalente a aproximadamente 980 campos de futebol — que está completamente inserida na malha urbana da capital amazonense. Muito mais do que uma bela vista para quem passa apressado, esse santuário natural abriga floresta amazônica nativa, nascentes de água, igarapés e uma expressiva diversidade de espécies da fauna e da flora regionais. Sob a gestão compartilhada entre a administração da Universidade Federal do Amazonas e o poder público municipal, o espaço integra a Área de Proteção Ambiental (APA) Manáos, desempenhando um papel crucial no equilíbrio ambiental de uma metrópole cercada por asfalto. Além de regular o microclima e purificar o ar em uma região sob intensa circulação de veículos e atividade industrial, essa floresta funciona como um valioso laboratório vivo. Ali, pesquisadores, professores e alunos de diversas áreas dedicam-se a observar processos ecológicos e a buscar formas de conciliar a ocupação humana com a conservação ambiental.
O Pulmão Verde de Manaus: Clima Agradável e Águas que Dão Vida à Capital
A importância ecológica do fragmento florestal da Ufam se destaca logo no primeiro contato com as condições ambientais do seu entorno urbano. De acordo com o engenheiro florestal André Mendonça, diretor do Centro de Ciências do Meio Ambiente (CCA/Ufam), a cobertura vegetal densa atua como um regulador térmico essencial para a cidade [7]. Essa vegetação contribui diretamente para a regulação do microclima local, reduzindo as temperaturas e mantendo a umidade do ar, o que é de extrema importância para a qualidade de vida da população local.
Esse efeito amenizador é sustentado pelo armazenamento de carbono por meio da biomassa florestal, que realiza a filtragem contínua de poluentes atmosféricos em uma região exposta à circulação pesada de veículos e à proximidade com a atividade industrial. A cobertura verde reúne trechos de floresta amazônica em terrenos baixos e sujeitos à maior umidade, conhecidos como floresta ombrófila de baixio, além de áreas de terra firme que não são periodicamente alagadas [8]. Sob as copas das árvores, as nascentes e os igarapés presentes participam da formação de microbacias hidrográficas que atravessam Manaus [7]. A manutenção dessa vegetação ajuda a reduzir processos erosivos e o assoreamento de cursos d’água, influenciando diretamente o comportamento das águas localizadas no entorno do campus.
Biodiversidade Cercada pela Cidade: Um Laboratório Vivo Contra o Isolamento Ecológico
Apesar de estar cercado por áreas urbanizadas e bairros populosos como Coroado, Japiim, São José, Distrito Industrial e os conjuntos Nova República e Eliza Miranda, o fragmento florestal da Ufam resiste como um refúgio para populações de espécies da fauna amazônica. Levantamentos realizados na área registram a presença de animais como preguiças, pacas, macacos e o sauim-de-coleira. Nos igarapés locais, crustáceos de água doce como camarões e caranguejos mostram a força da vida aquática no interior da mata. Ao longo das trilhas que conectam as bordas ao coração da floresta, há também uma imensa diversidade de árvores, palmeiras e insetos nativos.
Essa rica biodiversidade é amplamente documentada e divulgada, como no livro “Fauna e Flora da Universidade Federal do Amazonas”, publicado pela Editora da Ufam (EDUA). A publicação destaca, por exemplo, a riqueza das macrófitas aquáticas — plantas herbáceas que realizam todo ou parte do ciclo de vida na água. Conforme explica a professora Anete Leite Rubim na obra, a Amazônia Central possui cerca de 400 espécies dessas plantas, que desempenham papéis ecológicos cruciais de estabilização de margens, além de servirem para fins medicinais, tratamento de efluentes, aquariofilia e alimentação animal. Essa variedade biológica faz do fragmento florestal da Ufam um imenso campo de estudos para unidades como a Faculdade de Ciências Agrárias (FCA) e o Instituto de Ciências Biológicas (ICB). Projetos de pesquisa também envolvem áreas como Geografia, Geologia, Engenharias Civil e Ambiental, Antropologia, Ciências Sociais, Administração e Comunicação, servindo como um espaço prático para a observação de relações socioambientais.
Desafios e Ameaças: O Futuro de uma Joia Florestal sob Pressão Urbana
Nem tudo, porém, é simples no cotidiano deste ecossistema. Por estar cercado pela cidade em todas as direções e sem corredores ecológicos remanescentes monitorados, o fragmento florestal da Ufam representa um caso extremo de isolamento genético e ecológico de espécies selvagens. Essa falta de conectividade com outras áreas naturais de vegetação aumenta de forma severa a vulnerabilidade do fragmento aos impactos ecológicos provocados pelos efeitos de borda .
Além disso, a área sofre com constantes pressões de ocupações irregulares no seu entorno, o que torna sua gestão um grande desafio compartilhado entre a administração da Ufam e o poder público municipal. Preservar este imenso patrimônio ambiental requer equilibrar as necessidades de expansão urbana com os processos ecológicos fundamentais que garantem a umidade, a drenagem urbana e o clima ameno para os moradores locais. Diante do crescimento acelerado da capital amazonense, conservar esse fragmento é vital para assegurar que a biodiversidade e o bem-estar humano continuem coexistindo no futuro de Manaus.
Fonte – Ufam
Texto com apoio da Inteligência Artificial/Edição da Coopnews
Foto – Ufam




